Monday, August 22, 2005

Cultura Visual.

Sinto pouco a cultura visual.
Sabemos reconhecer e opinar sobre musica, clássica ou Pop, qual a boa literatura e quais os carros mais modernos.
Mas em matéria visual pouco mais vêmos que a televisão e cinema. E com isso julgamos que conhecemos o mundo. Quando ouço opiniões de como o cinema Europeu tem pouca luz a que geralmente respondem ser uma questão de hábito, julgo que é mesmo isso: Uma questão de Hábito.

Não estamos habituados a imagens bonitas ou diferentes. Não temos identidade visual. Ainda vivemos sobre a herança do regime salazariano, quando a revolução pop ainda não tinha chegado ao nosso país e a informática era apenas um delirio.
As novas gerações, mais intimas dos computadores, têm um gosto mais internacionalizado. Mas isso não se reflecte na cultura do dia a dia. Talvez nalgumas revistas alternativas e pouco mais. O pouco que nós produzimos com qualidade é um seguidismo das tendências internacionais. E ainda assim produzimos pouco.

Invejo as cidades japonesas cheias de neons e apelos ao consumo e os seus jovens de trajes multicoloridos.
Mas mesmo as imagens mais clássicas e sóbrias por pouco não existem. Fazer clássico não é fazer igual há cinquenta anos atrás. Mesmo o fato gravata tem vindo a evoluir. E não é por ser caro que é elegante. E podemos ser clássicos à nossa maneira.

Como se os arrojos visuais fossem exclusivo das novas tendências artistísticas. Na verdade, talvez seja essa a área onde elas se manifestem pela primeira vez. Mas não há razão para, mais cedo ou mais tarde, elas não descerem à rua. Não entrarem pelas nossas casas a dentro. Experimentamos pouco e aplicamos nada.

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