Thursday, December 29, 2022

Designs 90’s

O texto não é meu. Mas partilho aqui a história de Mário Moura, não só porque fomos colegas e vivemos isto juntos ou antes de nos conhecermos. Mas também porque há muito queria contar isto, e ele já o fez bem melhor do que eu. 

“Quando comecei a estudar artes no secundário, na segunda metade da década de noventa, ainda sem saber se iria estudar arquitectura ou design, o trabalho que se via em todo o lado tinha cores vivas, contornos claros, e o traço de uma banda desenhada franco-belga. Eram as Amoreiras, o espremedor do Starck e o mobiliário Memphis, o desenho retro-futurista de Daniel Torres ou de Moebius, os arabescos geométricos de Neville Brody.

Quando entrei para a faculdade, sem o saber articular, já queria outra coisa, o oposto disso tudo. Já me tinha aparecido o Eraserhead de Lynch, as banda desenhadas de Bill Sienkewicz e de Dave McKean, a pintura de Francis Bacon, as fotos de Joel Peter Witkin, tudo ambientes texturados, depositados em camadas de contornos esbatidos. Era textura contra cor plana, fotografia contra desenho, atmosfera contra espaço arquitectónico.

Há realmente um pêndulo formalista – depois de uma época cartoon vem uma era sombria e a preto-e-branco – que não se limita ao grafismo. Contra a euforia pop e new wave do começo dos anos 80 veio o som íntimo e solene da 4AD.”

Mário Moura, in The Ressabiator

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