Linhagens
Foram as primeiras a conceber o universo como malha e como redes. Entrelaçavam suas alegrias, esperanças, angústias, seus terrores e suas crenças mais íntimas.
Tingiam a monotonia com cores. Cosiam verbos, lã, adjetivos e seda. É por isso que textos e tecidos compartilham tantas palavras: a trama da história, o nó da questão, o fio da meada, o desenlace do relato; costurar um acordo, rasgar o verbo, tecer comentários, urdir um plano. É por isso também que os velhos mitos nos falam do pano de Penélope, das túnicas de Nausícaa, dos bordados de Aracne, do fio de Ariadne, da linha da vida que as moiras fiavam, da tela dos destinos que as nornas costuravam, do tapete mágico de Sherazade…
Irene Vallejo, in O Infinito num Junco
Tingiam a monotonia com cores. Cosiam verbos, lã, adjetivos e seda. É por isso que textos e tecidos compartilham tantas palavras: a trama da história, o nó da questão, o fio da meada, o desenlace do relato; costurar um acordo, rasgar o verbo, tecer comentários, urdir um plano. É por isso também que os velhos mitos nos falam do pano de Penélope, das túnicas de Nausícaa, dos bordados de Aracne, do fio de Ariadne, da linha da vida que as moiras fiavam, da tela dos destinos que as nornas costuravam, do tapete mágico de Sherazade…
Irene Vallejo, in O Infinito num Junco

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