Friday, January 27, 2006

Chance

Conta-se que ao recomendar certo militar a Napoleão, e depois de lhe terem enaltecido todas as qualidades e virtudes, este respondeu:
- Mas, e ele tem sorte ?


"Hard work is mandatory, but I think everybody's afraid to admit what a big part luck plays."

de Woody Allen

Thursday, January 26, 2006

Match Point



de Woody Allen

Adenda

"O DNa, suplemento do Diário de Notícias, acabou ontem, depois de nove anos. O DNa foi um projecto inovador no tom e no grafismo, usando com grande sucesso o aspecto visual, a fotografia de página inteira, a reportagem nas várias áreas e a entrevista bastante longa. No DNa houve gente que se revelou e gente que se confirmou. Globalmente, foi uma boa experiência no jornalismo português, mesmo se (como é inevitável) já tivesse esgotado o seu modelo."

Citado de Pedro Mexia, colaborador do Dna entre 1998 e 2003.

Monday, January 23, 2006

Intelecto Ex-Citado

"Há quem me chame «intelectual». É verdade que, comparado com um trolha, sou um intelectual. Mas também é verdade que, comparado com um intelectual, sou um trolha."

por Pedro Mexia

Wednesday, January 18, 2006

A Lisboa de 2005



A fonte tipográfica Lisboa foi uma das escolhidas pelo site Typographica como uma das melhores de 2005.

A fonte não se chama Lisboa por mero acaso. Foi feita pelo designer Português Ricardo Santos, que vê assim o seu trabalho reconhecido numa área onde é difícil conseguir o respeito merecido.
Na minha opinião considero a tipografia muito bonita, moderna e que reflecte uma personalidade nacional. Muitas vezes me pergunto se temos identidade em termos gráficos, e acho que está aqui um bom princípio de resposta. E se não há, podemos criá-la. Os meus parabéns.


Aqui vai uma rude tradução da crítica feita por um dos designer do júri:

"Tentar desenhar uma tipografia evocativa de uma área geográfica ou de uma cultura específica é uma jornada perigosa. Onde a tipografia Twin font system vai longe demais, a fonte Lisboa acolhe a sagacidade de meramente apontar para - e portanto atingir - um simples calor Ibérico, algo difícil numa fonte sem serifas. No campo sobrelotado das fontes humanistas sem serifas, Lisboa distingue-se por ser completa (incluíndo caracteres especiais e dois estilos numéricos) e pela sua sofisticação técnica, mas sobretudo por providenciar duas subtis variações: uma que ajuda a exibir o desenho particular do caracter; e outra que abstem-se dos detalhes para a máxima clareza nos tamanhos mais pequenos. Apesar do nome dos dois estilos não parecer ideal, o par proporciona um útil balanço entre o potencial expressivo e a humilde funcionalidade."

Hrant Papazian

Saturday, January 14, 2006

Belle du jour - Fez



in Dna

Esta imagem merece-me dois comentários.
Primeiro, o Lisboa-Dakar. Sou fã do Dakar e sempre achei as imagens da imensidão africana um consolo para o frio Janeiro. Chegar ao fim do dia e ver como máquinas e homens tinham enfrentado a sempre imponente natureza, nem sempre vencendo e onde muitas vezes apenas conseguir chegar é já uma vitória. Faz-me pensar nos tempos em que o homem ainda desbravava caminho para chegar longe e descobrir as chamadas Terrae Incognitae.
Desta vez esperava mais. Partindo de Lisboa pensei que a cobertura televisiva seria mais interessante e intensa. Havendo tantos portugueses em prova pensei encontrar mais crónicas na primeira pessoa. Pensei que iria encontrar muitos resumos na Tv e emissões alargadas no fim de semana. Mas não. Tive que me esforçar para ver alguns pequenos resumos ao fim da noite e pouco mais. E mesmo assim, na primeira semana não vi nada. Só li algumas coisas, e mesmo assim muito menos do que futebol. Para variar. Não estou a ver que os patrocionadores tenham muito retorno com esta cobertura. Enfim, já vi melhor.

Segundo, o DNA - suplemento do Diário de Notícias desapareceu.
E com ela desapareceu toda uma série de temas que eram abordados, de uma forma original e personalizada e que, para já, ficam por colmatar na imprensa portuguesa. A revista "6ª" que a substitui não aborda os mesmos temas, nem da mesma maneira. Reconheço que é uma revista interessante, com bom grafismo e abordando temas culturais de forma profunda, mas no fundo aborda áreas que já existem noutras revistas ou suplementos. Talvez estivessem a faltar no DN, mas haviam noutros lados. Quanto ao DNA vão-me fazer falta os artigos de opinião sem tema específico, os apontamentos sobre a imprensa estrangeira feitos pelo PRD, os destaques sobre peças de Design, as reportagens as biografias e as entrevistas. As fotografias e as ilustrações. A memória e a experimentação. O bom grafismo. Pois...
Acho que ultimamente tinha demasiada moda e demasiada gastronomia. E tenho saudades de temas que já há algum tempo não faziam parte, como os postais de longe, os livros e as crónicas de viagens. Mas nem tudo pode agradar a todos.
Esta foto de Marrocos provém de uma das últimas edições da revista. Fácilmente me relembrou os sentimentos que tive na primeira vez que vi Fez. Na altura não dei o devido valor mas agora já sinto saudades da revista que me emocionava dessa forma. E agora, onde irei encontrar esses temas escritos em Português?

Thursday, January 12, 2006

Livro-me

Os Livros nascem-me pela casa e crescem-me pelas paredes...

Será que também cresço com eles?
Será que a casa já lhes pertence?
Como se multiplicam, como se reproduzem?
Serão todos de estimação?
O que será que serão?

Wednesday, January 11, 2006

Cayatte

Já agora, o grafismo do Diário de Notícias é mérito do atelier do designer Henrique Cayatte.
Parabéns!

Diário de Notícias

O Diário de Notícias remodelou a sua imagem. Na verdade foi um pouco mais longe, mudando o conteúdo e a personalidade das suas publicações, extinguindo algumas e criando outras.

Para já, gostei. Agradou-me o grafismo mais leve e sinto que se tornou mais fácil de ler os textos, para além dos títulos. Não se cedeu ao populismo de pôr a notícia toda no título, desprezando o seu desenvolvimento, que sinceramente é o que mais me atrai na imprensa escrita. A sequência de temas parece-me adequada, o infografismo não perdeu o nível anterior e o caderno de economia parece-me legível, o que não é assim tão frequente. Os artigos de opinião é que ainda não estabilizaram nos meus hábitos. Espero que seja apenas uma questão de tempo.

Normalmente considero que nestas mudanças, mesmo que necessárias, perde-se mais do que se ganha e só ao fim de alguns números se consegue estabilizar ou criar uma nova personalidade. Por isso espero algum tempo até formar uma opinião. Mas como considero que o novo jornal já tem conseguida essa maturidade, arrisco o meu voto positivo.

Agora falta saber quando aos cadernos e suplentos: Em que consistem, o que abordam e em que dias são editados.
Fui fã durante muito tempo do suplemento DNA, que considerava completamente relevante no panorama editorial português. Espero que consigam subir o nível.

Tuesday, January 10, 2006

Livros

Tropeçavas nos astros desastrada
Quase não tínhamos livros em casa
E a cidade não tinha livraria
Mas os livros que em nossa vida entraram
São como a radiação de um corpo negro
Apontando pra a expansão do Universo
Porque a frase, o conceito, o enredo, o verso
(E, sem dúvida, sobretudo o verso)
É o que pode lançar mundos no mundo.

Tropeçavas nos astros desastrada
Sem saber que a ventura e a desventura
Dessa estrada que vai do nada ao nada
São livros e o luar contra a cultura.

Os livros são objetos transcendentes
Mas podemos amá-los do amor táctil
Que votamos aos maços de cigarro
Domá-los, cultivá-los em aquários,
Em estantes, gaiolas, em fogueiras
Ou lançá-los pra fora das janelas
(Talvez isso nos livre de lançarmo-nos)
Ou o que é muito pior por odiarmo-los
Podemos simplesmente escrever um:

Encher de vãs palavras muitas páginas
E de mais confusão as prateleiras.
Tropeçavas nos astros desastrada
Mas pra mim foste a estrela entre as estrelas.

de Caetano Veloso

Belle du Jour - David



de David Carson

Revolucionar

Encontrei os seguintes textos no site Tracks, que por sua vez os encontrou no site da revista Design Gráfico. David Carson foi um dos Designer mais revolucionários dos últimos anos. Sendo formado em Sociologia e surfista professional, a sua abordagem pioneira ao design, particularmente à tipografia alterou os os fundamentos em que até aí se baseava o Design e a Comunicação Gráfica.

"Em 1983, com idéias fervilhando na cabeça, unidas ao objetivo de causar impacto fizeram David Carson optar pela revista “Transworld Skateboarding” para trabalhar como diretor de arte.
Em suas páginas, a revista trouxe experimentações em layout e tipografia que quase dissociavam o conteúdo editorial do projeto gráfico, tamanho o caos que reinava nas edições. Matérias poderiam começar na primeira capa, serpentear ao longo de toda a revista, para terminar na quarta capa.

Após a experiência da “Transworld” e de ter participado de outros projetos de menor porte, em 1990 chefiou o desenvolvimento das páginas da revista de comportamento e música “Beach Culture”. Considerada o ápice criativo de Carson, a revista foi extinta em sua sexta edição, recebendo mais de 150 prêmios de design gráfico no mundo inteiro. Em 91 trabalhou na Surfer Magazine. O estilo directo e inovador das suas capas eram um contrates com o que se produzia na altura. Aí começou a associar-se o nome de Carson com a sua forma única do uso da tipografia, usada numa directa relação com o conteúdo dos textos. O estrondoso sucesso da “Beach Culture” fez com que o designer privilegiasse a não imposição de qualquer tipo de grid, além da liberdade de criação: foi aí que Marvin Scott Jarrel cruzou seu caminho e, juntos, conceberam o que se tornaria a hecatombe do design em escala comercial. A “RayGun” trazia, em seu miolo de conteúdo musical, uma das máximas de Carson na execução de seu trabalho: “A intuição é instrumento da invenção”.

David Carson conta que, enquanto trabalhava na revista, não imaginava que mudaria as concepções de design gráfico em tão larga escala. “Nunca pensei nisso ou percebi algo do tipo. O processo de criação era tão rápido e me absorvia tanto que eu só pensava em fazê-lo aproveitando o máximo, experimentando, me divertindo”.
Uma das derivações desse ciclo de produção foi uma empresa de fontes para atender à demanda tipográfica das páginas da “RayGun”, a Garage Fonts, que hoje exerce atividades independentes da revista, da qual o designer se desligou em 96.

A essa altura, o californiano já havia adquirido status de estrela no mundo do design gráfico, assim como seus contemporâneos Neville Brody, Rudy Vanderlans etc. Assim, foi naturalmente alçado de porta-voz da cultura underground para o mundo corporativo. Caciques do mundo capitalista como Coca-Cola, Nike, AmEx, Citibank, etc, tiveram reformuladas por ele suas identidades visuais, publicidade impressa e comerciais.

Em seus trabalhos para empresas ou nas páginas de revistas como a porto-riquenha “Surf in Rico” e a brasileira “Trip”, Carson recorre a um mosaico de inspiração que inclui música, grafite, pichações, a vida praiana e suas inúmeras viagens. “Para ser bom designer, no entanto, não é necessário rodar o mundo, mas ter no mínimo variadas experiências de vida”.
A referência ao sortimento de situações pelas quais já passou é marcante em seu trabalho. Além das viagens, que oferecem “o prazer de conhecer novas culturas e de estar em contato com climas propícios à criação” a prática do surf e sua energia são drenadas para seu design. Como auxiliar na composição de idéias, uma câmera digital o acompanha em todos os lugares, onde registra o banal, o curioso, o mórbido, o engraçado. Por vezes, nem entende a razão do clique. “Mas depois, quando vejo uma foto aparentemente mal resolvida e inútil, enxergo soluções para trabalhos muito mais eficazes do que se fossem feitos com uma foto ‘planejada’."

in Design Gráfico

Evolucionar

Percalços e Influências
Um grande opositor de David Carson no design foi Paul Rand, criador do logotipo da IBM, entre outros projetos de notável relevância. Rand, falecido em 1996, chegou a cortar relações com um amigo que convidou Carson para uma conferência.
“Para mim, essas provocações nunca fizeram grande diferença. Os contemporâneos de Rand, modernistas, ou seja lá o que for, proclamam o uso de grelhas e sistemas para obter um design de boa qualidade, uniforme. Para eles, eu sou o cara que jogou tudo isso fora, dizem que meu trabalho não transmite nada. Mas se causou raiva neles, já é um bom começo”, diz, entre risadas. “Fiz o que tive vontade e tenho prazer no que faço, até hoje”.
Alexandre Wollner, um dos cânones do design brasileiro, questiona: “a falsa iniciativa foi de transpor a cultura MTV para o visual gráfico, linguagem discutível inclusive para mídia televisiva. Você pode usar a tipografia como material ilustrativo e esculhambá-lo, mas se não serve para ler, então para que serve?”

Carson acha difícil que aconteça um segundo “boom” no design, como o que ele mesmo detonou, há vinte anos. Atribui à globalização e o surgimento de novas mídias uma quase impossibilidade de não repetir o que já foi feito no meio impresso. É esse o tema de um dos seus livros, “The End of Print”, cujo título foi tirado de uma conversa com Neville Brody, que comentou: “O que poderia ser feito com a impressão nós já fizemos de todas as formas. É hora de migrar para outra mídia, o que mais podemos fazer?”.

Desde os seus primeiros trabalho, passaram-se mais de 20 anos, nos quais enfileiraram -se oportunidades acompanhadas de muita sorte: o estilo do norte-americano era uma releitura do caótico trazido pelo movimento Merz, que teve como expoentes construtivistas como Schwitters e Lissitsky. A plataforma Macintosh veio se afirmando como a ferramenta ideal para o design, além do advento do postscript, que acabou com as limitações dos bitmaps e formas digitais e o estilo grunge afirmando-se como forma de expressão musical para uma geração.

Tudo leva a crer que o mundo precisa de mais manifestações regionais (e originais) de design. Não significa que o impacto de páginas como as da “Beach Culture” ou da “RayGun” deva ser exorcizado das fontes de inspiração: a criação, mais do que nunca, tende a ser orientada por citações como a de que “não é possível ser neutro” –essa é apenas uma das frases de Marshall McLuhan, contidas no próximo livro de Carson, “The Book of Probes”. Inspire-se.

in Design Gráfico

Wednesday, January 04, 2006

Belle du jour - Baby Sun



de Havaianas Baby

Monday, January 02, 2006

Exportante

Por muito que me agrade escrever sobre certos temas, há quem já o tenha feito antes e melhor. Assim, só me resta citar, elogiar e recomendar. Este texto que recito provém do muito excelente The Ressabiator.
O tema será porventura muito técnico, mas se em vez de design falarmos de qualquer outro tema da produção nacional a questão mantém-se. Temos vindo a exportar o nosso futebol aos poucos. Talvez já seja altura de passarmos a outras áreas.

"Como Exportar o Design Gráfico?
A própria pergunta induz em erro. Dá a entender que estamos a falar de um produto material. No entanto, não se pode vender o design gráfico como se fosse um mero objecto. O design gráfico não é uma cadeira, um vestido ou um bidão de petróleo. Está demasiado dependente do contexto local, da língua e da sociedade. A única maneira de o exportar é como prática cultural. Promovendo-o entre os diversos designs de cada país, entendidos também eles como práticas culturais. Promovendo as instituições culturais nacionais ligadas ao design – escolas, associações, revistas, palestras, blogues, etc. É assim que os designers suíços, holandeses, ingleses, italianos e americanos “vendem” o seu design. Se existem designers portugueses conhecidos “lá fora”, é porque “lá fora” estas instituições são criadas, mantidas, promovidas, acolhendo o talento internacional que encontram pelo caminho."

in The Ressabiator