Wednesday, April 22, 2026
Tuesday, April 21, 2026
A Infância dos meus tios
PEDAÇOS DA MINHA INFÂNCIA - PARTE I
Não nasceram de geração espontânea em Cacolo. O Papá Lacerda foi lá colocado depois da sua 1ª Graciosa à Metrópole já com 3 dos seus muitos rebentos.
O regresso de Portugal fez-se de barco desde Lisboa até Luanda como é suposto ter sido. Viagem miserável em que o barco se recusou a estabilizar em qualquer dos sentidos. Se a do ano anterior tinha sido má, essa foi pior pois o factor novidade não estava presente. Sabem como são as viagens de barco, não sabem? O chão, misteriosamente, ganha vida e luta contra tudo e todos que se atrevam a tocar-lhe. E são saltos e solavancos, e... "agora sacudo para a esquerda e agora para a direita e eu, barco, não me divertia a ver-vos ficar verdes e amarelos quais bandeiras brasileiras..."?, mas agora é para cima e cá vamos nóóós para baixo...
A família aumentara em número não porque lhes tivesse nascido outro bebé mas porque a avó Ilda os acompanhou na aventura africana.
Luanda à sua espera, linda como sempre, mas pouco tempo lá estiveram. O suficiente para perderem o ar de bandeira com que desembarcaram... Não havia ninguém que estivesse melhor que um lenço depois de uma valente gripe!
O dia de seguirem para Malange chegou e foi a vez de tomarem o comboio.
Não se esqueçam de se que estava em 1951. A única coisa boa dessa viagem foi que só durou 1 dia. Não vou entrar em pormenores pois gosto demais de todos vós.
Mais uns dias para se recomporem. A criançada tinha perdido as cores verde e amarela e ganho um belo tom cinza-azulado. Tudo normal...
Mas Cacolo, estava a muitas centenas de kms e não havia nem avião nem comboio para lá e o Papá Lacerda ainda não atingira aquele santo estatuto que lhe daria direito a ter carro próprio... Recorreu-se ao táxi (nessa altura já tinham sido inventados os táxis por ali e pelo resto do mundo, graças a Deus!).
A viagem durou dois dias. A primeira noite passaram-na em casa de um Chefe de Posto cuja esposa fez das tripas coração para os receber nos conformes.
No segundo dia, a uns 20kms do destino e já de noite, o táxi recusou-se a andar depois de meia dúzia de soluços: acabara-se-lhe a gasolina. Estava fora de questão fazer o resto do caminho a pé como a avó Ilda sugeriu, mas a ela tudo se perdoou uma vez que só estava em Angola há meia dúzia de dias e ainda não conhecia as regras do jogo.
E lá estavam todos enfiados num velho Mercedes (ou o que quer que fosse): Os Papás Lacerda, a avó Ilda, os 3 rebentos do casal e o motorista do desgraçado táxi. Ainda havia uns restos de pão que no Posto do Cucumbi lhes tinha sido oferecido pela esposa do Chefe e... tudo bem. O pior veio depois quando um leão começou a rondar o táxi e a Natureza começou a chamar um por um... valeu-lhes um copo de lavar os dentes que a Mamã Raquel tinha à mão! Mais difícil foi com a mais nova da família que tinha 14 meses... Sobre a madrugada o leão desistiu e depois do sol nascer passou uma camioneta que socorreu o grupo novamente amarelo-esverdeado.
Foram recebidos pelo Sr Secretário e família com sinais de grande alívio por terem chegado. Por terem chegado...
Banho, mata-bicho (café da manhã)... Luxúria suprema!
Em casa do Sr Secretário estava o Sr Administrador sessante, a consorte e a cunhada. Esperavam os viajantes para lhes passarem o facho, qual corrida de estafetas.
Durante todo esse dia procedeu-se ao inventário do recheio da casa e da Secretaria e conferiu-se a carga. O Papá Lacerda tomou posse do lugar oficialmente e o resto do dia foi passado em casa do Sr Secretário que fez questão em oferecer as refeições uma vez que ainda não estavam orientados o insigni-viajante (o que seguiria para o próximo Concelho) nem o insigni-ficante, titular daquele.
Durante o jantar de boas-vindas e despedida, o Sr Administrador sessante fez questão de avisar os Papás Lacerda, com muito tacto e oportunidade (?), do facto de, na residência oficial, morar um ex-colega que gostara muito da zona e que, depois de se ter passado para o outro plano, fizera as malas e se mudara para a antiga casa onde fora tão feliz... O Papá Lacerda, católico fervoroso, riu-se às gargalhadas, coisa rara nele pois era de poucos risos. Os pelinhos de todo o corpo da sua primogénita (eu) eriçaram-se. Ela não soube explicar bem se foi por ouvir o Papá Lacerda rir daquela maneira ou por ouvir a conversa dos adultos que, à boa maneira daqueles anos benditos, se tinham esquecido que as crianças não eram surdas... Aliás, todos riram menos os 3 insigni-viajantes.
Findo o jantar e o cerimonial dos agradecimentos, o Sr Secretário e esposa fizeram questão em acompanhar os novos residentes ao casarão.
Não havendo electricidade em Cacolo (ainda não tinha sido inventada por lá embora o tivesse sido no resto do mundo), a Dª Stela empunhou um candeeiro a petróleo para iluminar o caminho.
Ao fundo da alamedazita que separava as duas casas estava a nova residência dos ficantes com as janelas de madeira abertas de par em par e com um candeeiro aceso em cada uma.
-"Que simpática, Stela, ter mandado cá alguém acender os candeeiros!" - disse a Mamã Raquel toda embevecida.
-"Não mandei ninguém... Tenho a chave da casa no bolso desde que de tarde ali estivemos..."
Teresa Lacerda
PEDAÇOS DA MINHA INFÂNCIA - PARTE II
Início da década de 50.
O papá Lacerda colocado em Cacolo como administrador dos Quiocos, entre Saurimo e Malange, vivia feliz e contente entre a administração e as sanzalas e a colecta dos impostos e a tentativa (frouxa) de convencer uns quantos mancebos a oferecerem-se como "voluntários" para as minas da Diamang no Dundo e a orientar umas quantas queimadas "controladas" e a promover o recenciamento e a vacinação da varíola (e não sei que mais) (quem se lembra das brigadas da Pentamidina? ) e a sua casa.
Tão feliz estava que se recusava a pedir transferência para uma terra mais desenvolvida... Cacolo não tinha médico, nem padre, nem escola...
A mamã Raquel que se esforçava desesperadamente em orientar uma casa cheia de crianças e os milhentos funcionários que lhe caíam no prato porque se diziam e estavam em trânsito e ainda não tinha sido "inventado" o avião para aquelas bandas e chegavam por terra e arrasados de dias e dias de viagem com mulheres, sogras e filhos pedia-lhe desesperada que pensasse na dita transferência até porque a Teresinha (eu), estava em idade de ir para a escola. Que não, que estava muito bem ali, que o clima era óptimo, que havia muita caça, que os funcionários eram porreirinhos, que as crianças andavam à vontade...
A mamã Raquel que fizera o curso comercial há pouco tempo (casara-se com 16 anos) e ainda tinha as matérias muito frescas decidiu ensinar a sua primogénita a ler e a escrever.
E assim foi: com resmas de papel almaço e lápis vários e mais tarde com caneta de aparo e um tinteiro que o papá Lacerda trouxe da administração ensinou a criança(eu) a ler e a escrever (todas as regras gramaticais de que se lembrava - e eram muitas) e também as tabuadas e as contas e problemas daqueles das torneiras etc... e Geografia e História de Portugal. E tão entusiasmada andava que quase deu o curso comercial à cachopa (eu) que ia aprendendo tudo julgando que era assim mesmo!
Quando achou que sim, que a rapariga (eu) já lia e etc, foram a Saurimo e inscreveram-na para fazer os exames da 1ª à 2ª e da 2ª à 3ª em regime de ensino doméstico e no dia afixado lá foram todos na carrinha que dessa vez até funcionou. ( Nessa altura faziam-se exames em todas as classes, lembram-se? )
Corria o ano de 1953.
Claro que a rapariga (eu) fez uns exames belíssimos e ao fim do dia resolveram regressar a Cacolo pela fresca.
Feitos vários kms, o ajudante da carrinha que ia de farolim ligado a baterias, bate na capota a assinalar caça. O papá Lacerda emocionado, trava e salta ligeiro (também ele era um rapazito...) e pega na espingarda para prover a nossa gruta de carne fresca! A recém-examinada (eu) estava em pulgas: a sua 1ª caçada!
O Xico dizia:
"Patrão, é um veado e vem para a estrada, para a frente do carro".
O papá Lacerda corre para a frente do mesmo e espera. Um belíssimo veado cruza a estrada em saltos elegantes e o destemido caçador dispara... e não acerta.
O Xico grita:
"Patrão! está a dar a volta no mato e vai passar por trás da carrinha!"
E lá vai o caçador aos saltos apanhar o veado quando ele passasse pela estrada. O veado passou, o caçador disparou e não acertou.
E o Xico grita:
"Patrão! está a dar a volta no mato..."
E nova correria para a frente da carrinha... E novo disparo e nada! E na cabine a mamã Raquel e a filha (eu) riam-se às gargalhadas!
"Passem-me cartuchos e não façam barulho que me espantam a caça!" gritava o caçador. Os cartuchos seguiam viagem mas não acertavam...
O caçador desistiu de correr para a traseira da carrinha quando se apercebeu que a caça voltaria para a parte da frente, aí para a 5ª ou 6ª volta...
Depois foi o descalabro total: que tivessem contado (no meio da risota, dos gritos por cartuchos e pedidos de pouco barulho) foram mais 17 voltas que a criatura deu ao carro!!! E eis que à 17ª volta contada, o veado dá o tal salto elegante pela estrada e cai redondo na valeta depois do tiro!
Gritos e vivas e felicitações!
Aproximaram-se do bicho e não havia sinal de bala...
Nunca souberam de que tinha morrido: de susto, ataque cardíaco ou exaustão.
A recém-examinada (eu) recusou-se a assistir à autópsia, a comer nem que fosse uma febra e nunca mais quis ir a caçadas...
Teresa Lacerda
PEDAÇOS DA MINHA INFÂNCIA
Nº III
A Mamã Raquel tivera 3 bebés em 3 anos e achara-se a precisar de fazer uns consertos na boca.
No ano anterior (1954) tinha dado à Pátria mais um rapaz e fora no Dundo, na Companhia dos Diamantes (Diamang), que resolvera fazê-lo.
Nessa altura carregara com a primogénita (eu) para Saurimo onde o Papá Lacerda já tinha apalavrada uma boleia, óptima por sinal(!), para as levar. A criançada ficara em Cacolo com o progenitor e a avó Ilda.
Dessa ida ao Dundo ficou-lhe a ideia de um bom Hospital, etc. e tal.
E foi por isso que lá voltou no ano a seguir para arranjar a boca.
Levou os cachopos mas para grande surpresa da sua primogénita (eu), acabou por decidir levar a ama-seca e deixá-la, a ela (eu) em Cacolo com o Papá Lacerda e avó Ilda!
Corria o ano de 1955.
A revolta instalou-se naquela criança terna e doce (eu) pois já tinha esfregado as mãos de contente por voltar a fazer a mesma viagem!
A guerra foi declarada unilateralmente.
Começou por pedidos de:
"Papá, gostaria de estar também no Dundo. Posso ir?"
Resposta? Moita!
No 1º dia só por 2 vezes.
Depois foram crescendo em número e tom:
"Papá! Não consigo beber o leite; sabe-me mal! Posso ir ter com a mamã ao Dundo?"
Resposta? Moita!
"Avó! Esta sopa tem gordura, faz-me agoniar! Posso ir ter com a mamã ao Dundo?"
Moita!
"Papá! Não posso ficar esta noite no meu quarto; tenho medo! Posso ir ter com a mamã ao Dundo?"
Moita!
"Avó! Já não gosto daquele boneco que me deu nos anos; mete-me nojo! Posso ir ter com a mamã ao Dundo?"
Moita Carrasco!
Nos intervalos destes monólogos interessantíssimos havia choro em altos brados de tal forma que o Papá Lacerda, talvez aconselhado pela santa sogra, resolveu pegar na querida filha (eu) e levá-la a Saurimo para a recambiar para O DUNDO! Não sem antes lhe ter dito que iria de boleia nas camionetas de carga... [e ela (eu) tão preocupada!]
Chegados a Saurimo soube-se que o próximo comboio das ditas estava atrasado e que levaria dias para que tal acontecesse. O Papá Lacerda aproveitara para levar coisas do seu trabalho e teve de reunir várias vezes com o Sr Intendente. A chatinha da filha(eu) acompanhava-o para todo o lado e estava a divertir-se à brava. Era mimada e apaparicada em tudo quanto era sítio por toda a gente e estava já com medo que o tal comboio se formasse e se lhe acabasse a boa vida! Foram ao cinema, as refeições eram no Hotel, as tardes nos baloiços dos filhos dos funcionários da Diamang... Um nunca mais acabar de mordomias! Até houve alguém que lhe ofereceu um lindo pato de celulóide que estava à venda numa prateleira do Hotel!
E porque a visse mais animada (ou porque nunca tivera intensão de a mandar à mãe) acabou por anunciar à tirana (eu) que regressariam a Cacolo dia tal.
E como não podia deixar de ser, a meio da viagem, a carrinha parou... Cumpriram-se todos os rituais conhecidos e por inventar mas a carrinha não andou...
-"Oh Xico! Vai à sanzala do Soba tal tal e diz-lhe que... e que traga também uns frangos que fazemos aqui o jantar para todos, sim?"
Umas horas depois aparecem o Soba, as mulheres, as crianças, os sogros, os cunhados, primos, amigos e vizinhos. E tambores.
Alguém tratou dos frangos. Fez-se uma fogueira no meio da estrada. Assaram-se os frangos e batata doce e mandioca e ginguba.
Depois dos últimos ossos terem sido roídos até ao tutano pegaram nos tambores e... Foi a batucada mais linda, divertida e animada que a "infeliz regeitada" (eu) teve a dita de assistir e participar na sua vida! Já o sol raiava e ainda todos se rebolavam na estrada...
Quando o cansaço atacou em força atiraram-se para o chão para dormir um pouco.
Já de manhã passou uma camioneta (onde é que já está isto escrito também? ) que os levou de volta a Saurimo onde o papá Lacerda providenciou socorro.
E voltou tudo ao que fora dantes: Hotel, baloiços, cinema... Oh! que pena!!!"
Teresa Lacerda
PEDAÇOS DA MINHA INFÂNCIA - PARTE IV
Já a década de 50 ia alta e o papá Lacerda estava colocado no Quela, a 100kms de Malange.
O Quela era um luxo: tinha escola, médico, enfermeiro... Padre não tinha mas havia uma Missão relativamente perto e... pois... era o suficiente. E... pasmem: tinha um motor barulhento que era ligado à tardinha e desligado às 23 e assim as nossas cavernas eram iluminadas! E também as ruas, estão a ver?
Era outro paraíso! O clima estupendo, paisagens de tirar o folgo, perto de Malange onde os meus pais de vez em quando iam ao cinema (oh Fernando! Sabes que filme estará este fim de semana em Malange? Não? Mas sei eu: é "Sissi, Imperatriz da Áustria"! - O papá Lacerda anuia e lá iam eles.), hortas verdejantes, roças de café e A Baixa do Cassange, a maravilha suprema!
Na Baixa do Cassange cultivava-se algodão.
Para se ir para a Baixa seguíamos por uma estrada que tinha uma certa zona...(sobre isto falo noutra altura!) e passávamos por um Miradouro construído à beira da falézia com pilares por onde se enrolavam trepadeiras que faziam caramanchão; por baixo dele uma enorme mesa com bancos corridos tudo em cimento. E sabem o que se fazia por lá? Brutas churrascadas, claro! A poucos metros, num pequeno morro, havia um Forte que mais parecia um aldeamento de Reserva de Caça. Lindo! O Forte de Cabatuquila, o Miradouro chamado de Varanda de Pilatos.
Do Miradouro via-se a Baixa. Um espanto, podem crer: Kms e Kms a perder de vista. Dias houve em que estando no Miradouro, com sol, se assistia de balcão a duas ou três tempestades distintas na Baixa! E tínhamos direito a arco-íris e tudo...
Com zonas tão diversificadas pertencendo ao Distrito de Malange, decidiu o Sr. Governador fazer uma Exposição Feira onde cada Concelho apresentaria, em pavilhão, o que de mais característico houvesse por lá.
O papá Lacerda reuniu com os Chefes de Posto do seu Concelho no sentido de unirem esforços e apresentarem um pavilhão digno de tão linda região. Claro que haveria o café, o algodão, os frutos, as madeiras trabalhadas em lindas peças, e que sei eu mais. Não sei de quem foi a brilhante ideia de se construir, no pavilhão, um mini-zoo mas estão já a imaginar onde os animalitos estavam estacionados desde que foram capturados até ao dia da inauguração. No nosso quintal, pois então! A mamã Raquel teve de desalojar as suas queridas galinhas Island Red para outras instalações e lá iam chegando desde herbívoros a COBRAS!
Foi uma época alucinante! Que comeriam os bambis? Qua dar às cobras? E à tarde, depois da escola, lá íamos todos apanhar umas vagens de umas árvores que bordejavam as ruas e que nós, contrariados, tínhamos de ir dar aos bambis, às gazelas...( eram doces e queríamo-las para nós). Do resto da bicharada alguém se encarregaria, claro.
A mamã Raquel levou-nos várias vezes a Malange para nos mandar fazer as fatiotas à modista (escolher e comprar os tecidos, tirar medidas, escolher os feitios dos vestidos das meninas, fazer as provas... escolher e experimentar sapatos a condizer... Nessa altura éramos só 7 ainda).
Uns dois dias antes do início da Feira os animais foram transportados em várias carrinhas (os senhores comerciantes ajudaram na tarefa) para Malange onde o Sr. Governador disponibilizou as capoeiras dele.
A família avançou também na última viagem e ficou alojada onde sempre ficava, numas vivendas perto do Palácio onde era hábito ficarem os funcionários.
Dia da Inauguração: os pavilhões estavam construídos, os artefactos e bens da terra já nos seus lugares, só faltavam os bichinhos. Uma azáfama a transportá-los e a instalá-los. Tudo numa boa.
Mas para trás ficou O Bambi que o papá Lacerda não confiava a ninguém e que ele fez questão de levar na cabine da carrinha ao seu colo passando o volante ao seu Secretário. E lá foram eles todos lampeiros pela cidade fora em direcção ao sul do Bairro Azul onde era a Feira. Numa curva mais apertada o papá Lacerda desiquilibra-se, O Bambi assusta-se e esperneia e com uma patita bate no fecho da porta e... lá se foram Bambi e Papá Lacerda porta fora!
Do Bambi não se ouviu mais falar!
O papá Lacerda estampou-se de encontro ao passeio e... o Sr Secretário levou-o ao Hospital onde ele foi generosamente pintalgado com mercúrio e alguns pensos. Nada partido.
Em casa, a mamã Raquel com a ajuda da primogénita (eu) vestiu e despiu e voltou a vestir a malta jé em desassossego. Como havia sempre um bebé, provavelmente amamentou várias vezes o indez. Estava preocupada, a desgraçada.
Do papá Lacerda não havia notícias (ainda não tinham inventado os telemóveis naquela zona nem em zona nenhuma).
A hora marcada para a inauguração aproximou-se, chegou e partiu e nós ali. E eis que aparecem os valentes trabalhadores.
-"Então, Fernando? Tiveste um desastre a conduzir?" -"Não. Foi o Pereira que..."
-"Oh seu malvado! Então vai fazer ISTO a um homem que não faz mal a ninguém?"
E fez mensão de se atirar ao desgraçado julgando que ele teria batido no papá Lacerda...
-"Não, não... ele não fez nada..." - balbuciava o Cristo com a boca toda inchada.
Um braço ao peito, inchado e vermelhusco e foi fardado com a ajuda da chorosa esposa. Ficou lindo, o papá Lacerda, de farda de gala, limpa e engomada e BRANCA!
A Família Lacerda fez uma entrada triunfal no recinto da Feira!
Estava o Sr Governador Geral e todas, todas as figuras colunáveis da época! Um show! A RTP, acabadinha de nascer na Metrópole, enviou jornalistas para fazer a cobertura do evento...
O Sr Governador Geral teria perguntado ao seu Secretário:
-"Que colégio é aquele que chegou agora com a sua professora?"
PS - Esqueci-me de vos dizer que as meninas iam todas de igual (vestido de bordado inglês com gola redonda e lacinho azul-escuro, sapatinho de verniz e meia branca) e os rapazes também! (calção azul escuro, camisa branca, lacinho azul escuro, sapatinho de verniz e meia branca)... Imaginação não faltava à mamã Raquel...
Teresa Lacerda
PEDAÇOS DA MINHA INFÂNCIA - PARTE V
A mana Isabel tinha 1 ano e picos e estávamos no Quela.
1957
Havia uma roça de café a poucos kms que era a delícia de muitos. Árvores frondosas, riachos, café (claro) e as instalações dos trabalhadores e a residência do responsável por tudo aquilo. Essa casa era baixa, comprida, telhado de zinco. O chão era de cimento tingido de vermelho e encerado. A D. Cândida, muito jovem e bonita, era do melhor que havia: fazia uns queques deliciosos e biscoitos de canela como só ela. A qualquer altura a que chegássemos havia sempre doçuras!
Uma vez fui lá passar uns dias com eles e os filhos, um casalito muito aprumadinho e educado. Foram dias maravilhosos. A Dª. Cândida conversava comigo, contávamos filmes uma à outra, líamos à vez os livros de LUISA MARIA LINARES e CONCHA LINARES PECERRA, ensinou-me a bordar a ponto cruz mas com preceito... Ensinou-me a fazer os queques... Os filhos deles andavam atrás de mim como se de cachorrinhos se tratassem. Só anos e anos mais tarde percebi que tanta devoção se devia ao facto de ser a única adolescente num raio de centenas de kms. Quanto ao facto de eu ser a única adolescente em "centenas" de Kms, claro que não era bem assim: Malange estava apenas a 100 mas era como se fossem centenas na prática: eles estavam ilhados na "Fazenda Lu-Handa" (com o H aspirado) - Era uma roça mas chamava-se fazenda... Era assim: "Vamos à Roça do Sr. Malheiro?" ou "Vamos à Fazenda Lu-Handa?" (Que nem era nada do Sr. Malheiro. Ele era só o encarregado). Eles não iam a Malange com muita frequência.
E a pobre D. Cândida sofria de solidão! A Mamã Raquel costumava ir lá visitá-la mas era sempre entrada por saída. Os Papas Lacerda e Malheiro davam-se muito bem.
Passear na roça era divinal! O cheiro da humidade dos riachos, do capim, das flores, do café quando amadurecia... Do fumo que vinha da sanzala trazendo o odor do funge (pirão)... Hummm... Até agora me cresce água na boca!
A uns poucos kms da roça havia um recanto saído de um contos de fadas: um dos ribeiros terminava formando um laguinho bastante profundo lá para o meio. As margens eram arenosas mas com o mato logo a seguir.
Por vezes os Papás resolviam ir lá passar o dia e as Mamãs preparavam cestos e cestos de farnel para a malta se orientar. Levavam-se cobertores e as alcofas para graúdos e miúdos poderem dormir belas sonecas. E iam também baralhos de cartas porque os Papás andavam com a mania da Canasta, mania essa que transmitiram à filharada.
O Papá Lacerda e o Papá Malheiro, já fartos desses dias "sensaborões", resolveram arranjar um barco para levar as criancinhas de um lado para o outro no laguinho. As criancinhas não acharam graça nenhuma pois lhes fazia lembrar as horríveis viagens onde as refeições só estavam dentro deles o tempo suficiente para darem a volta e saírem...
O Papá Lacerda, feroz e eficiente caçador (Parte II...) achou por bem desafiar o Papá Malheiro a comprarem linha, chumbos e anzóis. (Não compraram canas porque nessa altura ainda não haviam sido inventadas em Malange embora o tivessem sido no resto do mundo.)
E assim o terrível caçador se transformou em destemido pescador!
Aqui para nós que ninguém nos lê, o Papá Lacerda (que se lembre a sua primogénita, eu) só pescou o dedo mindinho da sua mão esquerda; mas isso foram muitos anos depois e já em Moçâmedes, no Porto do Saco.
E um belo domingo, depois de muitos preparativos científicos para a confecção das canas, a pescaria teve início depois de muitas recomendações e bitaites das Mamãs!
O Papá Lacerda, de calções de caqui e camisa desfraldada ao vento (que não havia), capacete colonial no toutiço (que nunca largava - excepto para o banho, cama e mesa) estava belíssimo! Parecia um dos exploradores, qual Capelo Ivens, sei lá!
O Papá Malheiro estava mais modesto: calções de caqui, camisa desfraldada ao vento e capacete colonial no toutiço...
Um belo par de jarras!
Cada um empunhou um remo com muita perícia. Positivamente, arrastaram o barquito para o meio do lago. Largaram os remos e prepararam os apetrechos de pesca não se esquecendo de espetar, com requintes de malvadez, as pobres minhocas que se contorciam, nos anzóis enquanto na margem as criancinhas gritavam com dó dos pobres bichos.
O Papá Lacerda levantou-se, empunhou a cana, rodou-a sobre a cabeça soltando fio e lançou... E foi borda fora atrás da cana, do fio, do anzól, dos chumbos e das minhocas...
Convém aqui informar os leitores, que o Papá Lacerda era tão bom nadador como era caçador e pescador!
Do mestre pescador só o capacete estava à tona... vazio. Na margem as Mamãs gritavam, a criançada dava saltos de aflição.
Nisto, o topo da cabecinha aparece na água. O Papá Malheiro, valentemente, pega num remo e estende-lho e... Zás! Valente traulitada no toutiço e lá vai o Papá Lacerda outra vez por água abaixo!
Volta o desgraçado a surgir da água, agora já com mais balanço depois da pancada e fez glu-glu e levou outra vez na carola!
Na margem vivia-se um momento único: os saltos e os gritos rivalizavam com qualquer cerimónia pagã de dança ao Deus do Lago!
Pela terceira vez a cena se repete. O chinfrim era tal que os patos que moravam por lá começaram a responder em altos grasnados e depois, já assustados, alçaram voo com estardalhaço... (mal sabiam eles que o Papá Lacerda já tinha planeada uma caçada aos patos do lago... Não haveria de ser grande o problema pelo que sabem dos seus dotes de caçador, mas imaginem que o Papá Malheiro tinha pontaria? )
Finalmente o Papá Lacerda foi pescado do lago depois de muita luta: vestido e calçado e molhado...
Voltámos ao Quela sem peixe, muito roucos depois de tanto gritarmos mas com o nosso Papá resgatado das salsas ondas...
Foi nesse dia que vimos o nosso primeiro DISCO VOADOR! Mas isso é outra HISTÓRIA..."
Teresa Lacerda
PEDAÇOS DA MINHA INFÂNCIA - PARTE VI
Junho de 1959.
O ano lectivo terminara mas a primogénita (eu) dos Papás Lacerda não voltou ao Quela porque ele, o herói da Exposição Feira de Malange, tinha sido transferido mais uma vez.
As Madres de S. José de Cluny de Luanda, Colégio onde estava em regime de internato, enfiaram-na no comboio rumo a Malange onde se iria juntar ao grupo com destino a Santo António do Zaire (ou Sazaire).
O Sr Governador, muito gentilmente, cedeu uma station lilás metalizada com uns 200 anos e muitos kms (foi a maneira inteligente que ele concebeu para se ver livre de tal mamarracho) para a família se deslocar. Ainda agora é um mistério para ela (eu) o porquê de não irem no "carro deles", um Carocha ENORME onde certamente iriam muito mais confortáveis... Nessa altura eram só 8 (não contando com o Papá Lacerda e com a Mamã Raquel novamente de esperanças!) e as bicuatas que não seguiram na camioneta que levou o CAROCHA e os outros haveres da malta, por serem de necessidade primeira.
Em direcção a Carmona, a 1ª etapa. A Station era grande e não era má de todo... Um dia de descanso nessa cidade lindíssima e fresca de frondosas florestas e belos cafezais.
Retemperadas as forças seguiram para o Ambriz onde voltaram a parar (agora por dois dias) porque a Mamã Raquel se queixava de dores nos rins (uma piegas...).
Dessa povoação a mana mais velha (eu) não guardou recordações só se lembrando de andar com uma das bebés mais novas às voltas, desde fraldas a biberons...
A Mamã Raquel estava imprópria para o que quer que fosse.
Nova saída para a estrada mas desta vez já todos com aspecto de comida que cão rejeitou...
O Papá Lacerda era o máximo: desde Malange que tinha a paciência de parar de 10 em 10 kms para que a prole pudesse apanhar ar puro pois confirmou-se a suspeita que eram TODOS alérgicos ao cheiro da gasolina (vá lá saber-se porquê?)...
Saíram pela manhã e antes mesmo do almoço um ruído estranho, como o de um arrastar correntes, ferros... O Papá Lacerda pára a Station, a troup aproveita logo para oferecer aos vermes da terra os restos do mata-bicho (café da manhã) que ainda não tinham sido digeridos, e constata que o pára-choques traseiro da dita se soltara em metade e arrastava pelo chão.
Não houve crise porque na caixa de ferramentas havia um pouco de arame com o qual o valente motorista amarrou o candidato a vadio.
Seguiram viagem e após uma sacudidela mais forte por causa de um pobre buraco na estrada, abre-se a porta das bagagens e começam a cair roupas, brinquedos e chapéus; (foi por milagre que não voou nenhuma das crianças porque nessa época ainda não se tinham inventado os cintos de segurança em Angola nem em parte alguma do mundo).
Nova paragem, nova saída em tropel da filharada para tratar dos restos das bolachas que a Mamã Raquel distribuíra por causa da tal alergia ao cheiro da gasolina e aproveitar também para "regar" umas quencas que nasciam à beira da estrada.
Um resto de arame resolveu o problema.
Kms volvidos, numa curva, abre-se de sopetão a porta traseira do lado direito.
Os milagres acontecem várias vezes por dia e ninguém caiu na estrada...
O fecho da porta partira-se.
O arame acabara.
A Mamã Raquel lembrou-se que tinha fraldas, ainda limpas, da criancinha mais nova.
O Papá Lacerda usou uma para amarrar a porta tentando fazer um nó de pescador que aprendera na tropa mas desistiu e fez um nó cego vulgaríssimo.
E o dia a passar e nunca mais se via o destino.
Pararam para almoçar, para lanchar, para...
A paisagem era muito diferente da que estavam habituados: altas palmeiras, sanzalas feitas de entrançados de palma e muito, muito limpas.
À tardinha, por birra ou cansaço, a Station soluçou, sacolejou, estremeceu e quedou-se muda que nem um rochedo.
Falta de gasolina (outra vez não!)? De óleo? De água? Havia de tudo.
Capot aberto e o Papá Lacerda tentando desvendar os mistérios que existem nesse espaço de todos os veículos: não viu nada que lhe desse qualquer pista (por isso se chamam mistérios - ninguém percebe porque por vezes os automóveis param).
Impressionou muito, principalmente aos rapazes (eles pensaram que o pai estava a concertar algo), batendo com uma chave de fendas aqui e ali, tentando talvez que, com essas pancadas a Station se decidisse a mover-se mais uns kms.
- "Já faltava pouco, caramba!" (era o desabafo mais forte que o destemido conhecia).
Mas ela não se comoveu...
- "Oh Lita! (diminutivo carinhoso que o Papá Lacerda chamava à Mamã Raquel) tira fulaninho do meu banco a vai tentando dar à ignição"!
Assim foi feito e nada...
- "Meninos! Todos a empurrar para ver se pega"!
Assim foi feito e nada...
- "Vou voltar atrás, àquela sanzala pela qual passámos há pouco, para que nos venham ajudar. Fiquem quietos e não aborreçam a Mamã que não está bem".
Regressou umas horas depois com alguns naturais da zona e que, muito simpaticamente se dispuseram a empurrar a Station até Sazaire.
Fizeram uma entrada andrajosa e digna de caricatura na vila! Valeu-lhes ser de noite e ninguém ter presenciado tamanha indignidade...
Era 10 de Junho (Dia de Camões, na época, agora Dia de Portugal e das Comunidades de Língua Portuguesa)...
Por que será que esta família foi fadada a fazer entradas triunfais para onde quer que fosse?
Teresa Lacerda
Democracias
A revolução portuguesa de 1974 corresponde ao eclodir de uma terceira vaga de transições para a democracia que viria a consolidar regimes demoliberais em várias regiões do globo. A primeira vaga teria começado em 1820 nos EUA com a generalização do sufrágio masculino, e a segunda em 1945 com o triunfo dos aliados no fim da Segunda Guerra Mundial !
Samuel Huntington, in "The Third Wave: Democratization in the Late Twentieth Century"
Samuel Huntington, in "The Third Wave: Democratization in the Late Twentieth Century"
Sunday, April 19, 2026
Wednesday, April 15, 2026
Tuesday, April 14, 2026
Monday, April 13, 2026
Viceversa
Tengo miedo de verte,
necesidad de verte,
esperanza de verte,
desazones de verte.
Tengo ganas de hallarte,
preocupación de hallarte,
certidumbre de hallarte,
pobres dudas de hallarte.
Tengo urgencia de oírte,
alegría de oírte,
buena suerte de oírte,
y temores de oírte.
O sea,
resumiendo
estoy jodido
y radiante.
Quizá más lo primero
que lo segundo
y también
viceversa...
Viceversa, de Mario Benedetti
necesidad de verte,
esperanza de verte,
desazones de verte.
Tengo ganas de hallarte,
preocupación de hallarte,
certidumbre de hallarte,
pobres dudas de hallarte.
Tengo urgencia de oírte,
alegría de oírte,
buena suerte de oírte,
y temores de oírte.
O sea,
resumiendo
estoy jodido
y radiante.
Quizá más lo primero
que lo segundo
y también
viceversa...
Viceversa, de Mario Benedetti
Thursday, April 09, 2026
Sunday, April 05, 2026
O Coleccionador
Nos meus tempos da embaixada em Paris, recebia inúmeras cartas de colecionadores. Foi aí que comecei a reflectir sobre estas formas estranhas e inesperadas de nos relacionarmos com o mundo. Assim, um velho polícia reformado fazia colecção de capacetes da polícia. E escrevia-me porque não conseguiria dormir sem ter um exemplar de capacete da polícia portuguesa — sentiria sempre que o mundo estava incompleto.
Mais insólita era aquela mulher que tinha como ideal na vida reunir areia das praias de todos os países do mundo. E queria que eu lhe arranjasse areia de uma praia portuguesa. Por momentos, estive para lhe perguntar por que não coleccionava o ar de cada país — seria algo de mais etéreo. Mas percebi que este meu humor funcionaria como uma agressão inútil e imprópria da diplomacia de um país. Estive ainda tentado a resolver o problema com um pouco de areia de uma praia da Bretanha. Mas todos os princípios mais elementares da ética me gritavam que tal seria inadmissível. Aproveitei então umas férias em Portugal para recolher um pouco de areia da praia das Avencas na Parede, e assim satisfiz a terrena inquietação da minha correspondente.
Eduardo Prado Coelho,
O Coleccionador - Colecção Mil Folhas do Público
Mais insólita era aquela mulher que tinha como ideal na vida reunir areia das praias de todos os países do mundo. E queria que eu lhe arranjasse areia de uma praia portuguesa. Por momentos, estive para lhe perguntar por que não coleccionava o ar de cada país — seria algo de mais etéreo. Mas percebi que este meu humor funcionaria como uma agressão inútil e imprópria da diplomacia de um país. Estive ainda tentado a resolver o problema com um pouco de areia de uma praia da Bretanha. Mas todos os princípios mais elementares da ética me gritavam que tal seria inadmissível. Aproveitei então umas férias em Portugal para recolher um pouco de areia da praia das Avencas na Parede, e assim satisfiz a terrena inquietação da minha correspondente.
Eduardo Prado Coelho,
O Coleccionador - Colecção Mil Folhas do Público
Saturday, March 28, 2026
Sotaques
Dizes que não tens qualquer sotaque ! Isto não é um ataque, mas tens falta de noção. E depois dizes pra não ser de surpresa eu tufono-te às dezoito pra marcar a reunião ! Olha quem fala, tu dizes à minha beira com pronúncia da Ribeira quando estás ao pé de mim. Dizes pega em vez de toma, dizes bufa em vez de sopra, olhá iana, gola ialta e coisa assim...
Já tu dizes são quaise treuze, e já ouvi várias vezes tira o téni do sófá ! O lisboeta come letras, tira o u pra dizer pôco, diz óviste, é muita lôco, assim não dá... Tretas ! Pra ti mãe tem cinco letras, dizer cumo é o cúmulo e tu sabes que assim é. Tu dizes testo e eu tampa, eu digo coxo e tu manco e quando dizes tótil, eu digo bué ! Contigo o tão vira tom, contigo o são vira som, e depois bom vira bão. Pra mim o v vira b, para ti lesboa é com e... Oblá e então !? Ouve, não sou eu que falo torto, toda a gente me entende ! Não é o meu defeito, S'eu falo à porto é meu direito e se o teu ouvido é mouco ! O meu sotaque é perfeito !! Se digo fala bem é pra tu seres meiguinha. Como eu sou também, no meu jeito alfacinha ! E quando eu digo bem eu tô-te a dizer para bires, e eu até te falo bem, só é pena não me ouvires, e quando eu digo vem eu tô-te a dizer para vires, e eu até te falo bem, só é pena não me ouvires.. !
Capicua, em "Imperial é Fino"
Ténis é Sapatilha, Bica é Cimbalino, Chicla é Pastilha, Aloquete é Cadeado, Capuz é Carapuço, Estrugido é Refugado, Chapéu de chuva é Chuço, Trolha é Pedreiro, Bueiro é Sarjeta, Sertã é Frigideira, Cabide é Cruzeta...
Já tu dizes são quaise treuze, e já ouvi várias vezes tira o téni do sófá ! O lisboeta come letras, tira o u pra dizer pôco, diz óviste, é muita lôco, assim não dá... Tretas ! Pra ti mãe tem cinco letras, dizer cumo é o cúmulo e tu sabes que assim é. Tu dizes testo e eu tampa, eu digo coxo e tu manco e quando dizes tótil, eu digo bué ! Contigo o tão vira tom, contigo o são vira som, e depois bom vira bão. Pra mim o v vira b, para ti lesboa é com e... Oblá e então !? Ouve, não sou eu que falo torto, toda a gente me entende ! Não é o meu defeito, S'eu falo à porto é meu direito e se o teu ouvido é mouco ! O meu sotaque é perfeito !! Se digo fala bem é pra tu seres meiguinha. Como eu sou também, no meu jeito alfacinha ! E quando eu digo bem eu tô-te a dizer para bires, e eu até te falo bem, só é pena não me ouvires, e quando eu digo vem eu tô-te a dizer para vires, e eu até te falo bem, só é pena não me ouvires.. !
Capicua, em "Imperial é Fino"
Ténis é Sapatilha, Bica é Cimbalino, Chicla é Pastilha, Aloquete é Cadeado, Capuz é Carapuço, Estrugido é Refugado, Chapéu de chuva é Chuço, Trolha é Pedreiro, Bueiro é Sarjeta, Sertã é Frigideira, Cabide é Cruzeta...
Educação
«A única coisa que vale a pena é a educação. Todos os outros bens são humanos e pequenos e não merecem ser procurados com grande empenho. Os títulos nobiliárquicos são um bem dos antepassados. A riqueza é uma dádiva da sorte, que a tira e a dá. A glória é instável. A beleza é efémera; a saúde, inconstante. A força física cai tomada pela doença e pela velhice. A instrução é a única das nossas coisas que é imortal e divina. Porque só a inteligência rejuvenesce com os anos e o tempo, que arrebata tudo, dá sabedoria à velhice.»
Irene Vallejo
Irene Vallejo
Eu x Usa
Fico sempre a pensar em que desportos podemos encontrar ocasiões onde a prova tem uma equipa da Europa contra uma equipa dos Estados Unidos. Para já, só me lembro da Ryder Cup no Golf, da America’s Cup na Vela, e da Laver Cup no Ténis…
Saturday, March 21, 2026
Friday, March 13, 2026
As séries a sério
Agora vejo as notícias como uma série de Tv ! Em particular na net, onde tudo é possível adoro ver as mais recentes tricas da guerra. Eu sei que metade é falso, mas tal como nos programas de Tv eu vejo documentários e ficção… só não sei quais são qual : )
Wednesday, March 11, 2026
Wednesday, March 04, 2026
Ler para ti
Se alguém lê para ti, deseja o teu prazer !
É um ato de amor e um armistício no meio dos combates da vida. Enquanto ouves com atenção sonhadora, o narrador e o livro fundem-se numa única presença, numa só voz. E, da mesma forma que o teu leitor modula para ti as inflexões, os sorrisos ténues, os silêncios e os olhares, a história também é tua por direito inalienável. Nunca esquecerás quem te contou uma boa história na penumbra de uma noite.
Por Irene Vallejo
É um ato de amor e um armistício no meio dos combates da vida. Enquanto ouves com atenção sonhadora, o narrador e o livro fundem-se numa única presença, numa só voz. E, da mesma forma que o teu leitor modula para ti as inflexões, os sorrisos ténues, os silêncios e os olhares, a história também é tua por direito inalienável. Nunca esquecerás quem te contou uma boa história na penumbra de uma noite.
Por Irene Vallejo
Friday, February 27, 2026
Hieróglifoemojis
Os emojis serão os novos hieróglifos da modernidade, onde cada pictograma representa uma ideia e não um som…
Saturday, February 21, 2026
Literatura
A literatura "tem de lutar com muita coisa, sobretudo com todo o tipo de ecrãs. Não há um grande espaço para a literatura, mas confio e acredito muito nela. Enquanto houver alguém no metro a pegar num bilhete e a anotar uma frase para escrever à namorada, haverá literatura."
De Enrique Vila-Matas
De Enrique Vila-Matas
Friday, February 20, 2026
Wednesday, February 18, 2026
Heigo & Akira
Heigo Kurosawa foi um admirado benshi, narrador de filmes mudos para o público japonês. Converteu-se numa estrela; as pessoas iam ouvi-lo em massa. Introduziu o seu irmão mais novo Akira, que naquela altura queria ser pintor, nos ambientes cinematográficos de Tóquio. Por volta de 1930, com a vertiginosa chegada do som, os benshi perderam o seu trabalho, a sua fama eclipsou-se e foram esquecidos. Heigo suicidou-se em 1933. Akira dedicou toda a sua vida a realizar filmes como os que aprendeu a amar na voz do seu irmão mais velho.
Por Irene Vallejo, em “O Infinito num Junco”
Por Irene Vallejo, em “O Infinito num Junco”
Tuesday, February 10, 2026
Monday, February 09, 2026
Dois Miúdos
É mágico dois miúdos se encontrarem no meio do universo e fazerem amor como se não houvesse amor no mundo e ele precisasse de ser feito
Thursday, February 05, 2026
Monday, February 02, 2026
Curren
The greatest photo in surfing history ?
The greatest cutback photo of all time ?
Definitely ! As far as the greatest image of a maneuver of all time, the Tom Carroll shot at Pipe aka "The Snap", Laird Hamilton's Teahupo'o wave, Noll standing at Pipe, these are all impactful moments in surfing history. This image is core. Its core in that Curren is riding a Reverse-V ,7'3" or 7'8" Logo-less Maurice Cole, he had two. "Logo-less", which prevented a certain magazine from running it on the cover. Ocean Pacific was a SURFER Magazine sponsor and Curren's big dollar sponsor. This kept it off the cover. Curren would win Haleiwa on this logo-less Maurice Cole and that would be the end of that OP contract. This image with live on in the purest of pure core images in surfing history.
One of Tom Servais best images !
The greatest cutback photo of all time ?
Definitely ! As far as the greatest image of a maneuver of all time, the Tom Carroll shot at Pipe aka "The Snap", Laird Hamilton's Teahupo'o wave, Noll standing at Pipe, these are all impactful moments in surfing history. This image is core. Its core in that Curren is riding a Reverse-V ,7'3" or 7'8" Logo-less Maurice Cole, he had two. "Logo-less", which prevented a certain magazine from running it on the cover. Ocean Pacific was a SURFER Magazine sponsor and Curren's big dollar sponsor. This kept it off the cover. Curren would win Haleiwa on this logo-less Maurice Cole and that would be the end of that OP contract. This image with live on in the purest of pure core images in surfing history.
One of Tom Servais best images !
Sunday, February 01, 2026
Tuesday, January 20, 2026
Friday, January 16, 2026
Corazon del Paraiso
Monday, January 12, 2026
Wednesday, January 07, 2026
Saturday, January 03, 2026
Wednesday, December 31, 2025
Thursday, December 18, 2025
Wednesday, December 17, 2025
Tuesday, December 16, 2025
Cama de bote
Aquella noche, antes de irme a la cama, cogí una linterna de uno de los cajones del escritorio de papá y debajo de la sábana comencé a leer la novela, la historia de un viejo pescador, de un muchachito, de un gran pez y de una manada de tiburones... Conforme leía, mi cama se transformaba en bote, oía el chapoteo de las olas golpeando contra el borde del colchón, olía la brisa marina y sentía el viento que empujaba la vela de mi sábana.
Gaël Fay, in Petit Pays
Gaël Fay, in Petit Pays
Monday, December 15, 2025
Saturday, December 13, 2025
Monday, December 08, 2025
Apagão
Para mim, a palavra deste ano foi sem dúvida… Apagão !
O grande apagão que afetou Portugal e Espanha ocorreu no dia 28 de abril de 2025, por volta das 11:33, sendo um evento que paralisou a Península Ibérica e se tornou a "Palavra do Ano" para os portugueses em 2025.
O grande apagão que afetou Portugal e Espanha ocorreu no dia 28 de abril de 2025, por volta das 11:33, sendo um evento que paralisou a Península Ibérica e se tornou a "Palavra do Ano" para os portugueses em 2025.
Tuesday, December 02, 2025
Que Puentes
La cosa más difícil de aprender en la vida es qué puente cruzar y cuál quemar...
Por Bertrand Russell
Por Bertrand Russell
Monday, December 01, 2025
Castelo de Penedono
Os domínios de Penedono e seu castelo são referidos, no século XVII, associados aos Lacerda, que então usavam honorificamente o título de seus alcaides-mores. O Castelo remonta à época da Reconquista cristã da Península Ibérica aos mouros, a propósito do repovoamento da região após a vitória das forças de Ramiro II de Leão na batalha de Simancas em 939. O castelo foi visitado por Alexandre Herculano em 1812, que o descreve, à época, como já em ruínas. No século XX, foi classificado como Monumento Nacional em 23 de Junho de 1910. História do Castelo de Penedono.
Friday, November 28, 2025
Monday, November 10, 2025
Ainda te lembras ?
Ainda te lembras de mim ? Ainda sabes de onde eu vim ? Quem sou esta que aqui estou ? Diz-me no meu olhar triste, que alguma memória existe, e ainda sabes quem sou...
Diz-me se ainda tropeço ! Se me alegro, se agradeço, ou se ainda sei cantar. Recorda-me por favor, alguma coisa, o que for que eu não consigo lembrar...
Vem comigo pela cidade, diz-me com sinceridade sе tu te lembras de mim. Ondе cresci e amei, com quem vivi e me dei, ou se a algo eu pus fim...
Será que tu me conheces ? Que o tempo passa e não esqueces, quem eu fui e sou... enfim ! Ó meu doce coração, diz-me se sabes ou não... ainda te lembras de mim ?
Siempre que me acuerdo de algo, siempre lo recuerdo un poco diferente, y sea como sea ese recuerdo, siempre es verdad en mi mente. Y si mi alma se derrama, y la falta de pasado es el olvido. Cuando muera solo pido, no olvidar lo que he vivido...
Memória, por Rosalía e Carminho
Diz-me se ainda tropeço ! Se me alegro, se agradeço, ou se ainda sei cantar. Recorda-me por favor, alguma coisa, o que for que eu não consigo lembrar...
Vem comigo pela cidade, diz-me com sinceridade sе tu te lembras de mim. Ondе cresci e amei, com quem vivi e me dei, ou se a algo eu pus fim...
Será que tu me conheces ? Que o tempo passa e não esqueces, quem eu fui e sou... enfim ! Ó meu doce coração, diz-me se sabes ou não... ainda te lembras de mim ?
Siempre que me acuerdo de algo, siempre lo recuerdo un poco diferente, y sea como sea ese recuerdo, siempre es verdad en mi mente. Y si mi alma se derrama, y la falta de pasado es el olvido. Cuando muera solo pido, no olvidar lo que he vivido...
Memória, por Rosalía e Carminho
Thursday, November 06, 2025
Friday, October 31, 2025
Wednesday, October 29, 2025
25:00
Dizer que são vinte e cinco horas da noite, até está certo ! Como se fossem oito horas e cinco minutos ao final do dia…
Monday, October 27, 2025
Thursday, October 23, 2025
Saturday, October 18, 2025
Uma Imagem
Uma imagem tem que fazer três coisas: tem de captar a nossa atenção, tem de começar a contar-nos uma história, e tem de nos deixar acabar a história sozinhos...
By Nick Night
By Nick Night
Friday, October 17, 2025
Joy
Can we stop acting like joy has an age limit?
If buying a stuffed animal, rewatching cartoons, using a coloring book, collecting cute stationary, or sleeping with a fuzzy blanket brings you peace in this chaotic world, that's valid. The world is heavy. Bills are real. Burnout is constant. If something soft or silly makes it even a little bit lighter, let it. Being an adult doesn't mean you have to let go of the things that once made you feel safe or happy. We don't need less joy. We need more of it. Louder. Brighter. Unapolagetic. Smile at the small things. Buy the plushie. Get the happy meal. Hug the pillow. Pick the pen with the glitter ink. You're not too grown. You're just tired. And you deserve softness too...
By Josh Fraser - Young on Psychology
If buying a stuffed animal, rewatching cartoons, using a coloring book, collecting cute stationary, or sleeping with a fuzzy blanket brings you peace in this chaotic world, that's valid. The world is heavy. Bills are real. Burnout is constant. If something soft or silly makes it even a little bit lighter, let it. Being an adult doesn't mean you have to let go of the things that once made you feel safe or happy. We don't need less joy. We need more of it. Louder. Brighter. Unapolagetic. Smile at the small things. Buy the plushie. Get the happy meal. Hug the pillow. Pick the pen with the glitter ink. You're not too grown. You're just tired. And you deserve softness too...
By Josh Fraser - Young on Psychology
Thursday, October 16, 2025
Ageing
Ageing is an extraordinary process whereby you become the person you always should have been...
Por David Bowie
Por David Bowie
Suertes
Para los antiguos griegos, la suerte (Tuxn, tyche) era una fuerza caprichosa que escapaba al control humano, una mezcla entre azar, destino y voluntad divina.
Homero la vinculaba a los dioses, mientras que Aristóteles la distinguía de la necesidad y la causalidad, la suerte ocurría cuando múltiples causas convergían sin intención, generando un resultado inesperado. En tragedias como las de Sófocles o Eurípides, la suerte era el giro que revelaba la fragilidad humana frente a un cosmos indiferente. Tyche podía elevar o destruir sin previo aviso, y por eso se la representaba con los ojos vendados o sobre una rueda, símbolo de lo impredecible.
Homero la vinculaba a los dioses, mientras que Aristóteles la distinguía de la necesidad y la causalidad, la suerte ocurría cuando múltiples causas convergían sin intención, generando un resultado inesperado. En tragedias como las de Sófocles o Eurípides, la suerte era el giro que revelaba la fragilidad humana frente a un cosmos indiferente. Tyche podía elevar o destruir sin previo aviso, y por eso se la representaba con los ojos vendados o sobre una rueda, símbolo de lo impredecible.
Thursday, October 09, 2025
Ideas
Ideas are easy !
It’s the execution of ideas that really separates the sheep from the goats
Por Sue Grafton
It’s the execution of ideas that really separates the sheep from the goats
Por Sue Grafton
Saturday, September 27, 2025
Friday, September 26, 2025
Cores / Eras
Cada geração tem o seu próprio código cromático !
Os Baby Boomers (pessoas que nasceram entre o final da segunda Guerra Mundial e meados dos anos 60) e a geração X (nascidos entre 1965 e 1980) têm uma forte inclinação para paletas mais tradicionais, dominadas por tons neutros e pastel. A partir da década de 1970 essas paletas foram enriquecidas por tons da natureza: verdes, castanhos e vermelhos ferrugem.
A Geração Y - ou os Millennials - (nascidos entre 1980 e meados da década de 1990) cor-de-rosa millennial. Mais do que tonalidade, este tom pastel tornou-se emblemático durante a década de 2010 - símbolo de leveza, optimismo e, sobretudo, um desafio para as normas de género tradicionais.
Para a Geração Z (de 1995 a 2010), a primeira cor que se destacou foi um amarelo ousado, rapidamente apelidado de "Gen Z Yellow", que surgiu por volta de 2018 num contraste deliberado com o cor-de-rosa da geração anterior. Pouco depois o roxo entrou na mistura - há muito associado com o poder, com a criatividade e com a luta feminista, foi então reinterpretado como um símbolo da inclusão e expressão pessoal. Mais recentemente, o verde começou a conquistar terreno. Por um lado, tornou-se uma cor mobilizadora das preocupações ecológicas e no discurso político. Por outro lado, foi reinventado como um tom provocador, o brat green, popularizado em 2024 pela cantora britânica Charli XCX.
A Geração Alfa (a partir de 2010), que ainda vai nos seus primeiros anos, movimenta-se entre dois pólos: uma inclinação para tons mais naturais e reconfortantes, e uma imersão precoce nas cores mais saturadas e artificiais do mundo digital.
Falar sobre as cores das gerações é, por isso, uma ferramenta de descodificação. Para cada geração, as cores são mais do que a escolha estética: têm significado, são uma testemunha do tempo, fonte de emoção e uma linguagem partilhada que une os indivíduos ao espírito do seu tempo.
Por Sabine Ruaaud é professora de marketing na EDHEC Business School em França, e Rose K. Bideaux estuda arte e estudos de género na Université Paris 8. In the P3 / The Conversation
Thursday, September 25, 2025
Thursday, September 18, 2025
Redford
Tinha 13 anos quando o vi em África. Recordo o meu fascínio de menino encantado, a ideia de que poderia ser como ele, aventureira solitário e idealista, bonito e sedutor, livre e ferozmente descomprometido. Vi-o a lavar o cabelo de uma mulher que se abandonou para que ele lhe arrebatasse a pele. Nunca tinha visto um homem assim, quase feminino sendo tão masculino, um homem que enlouquecia as mulheres por ser o que os outros não eram. Forte, mas romântico.
Caçador de leões, mas com uma indefinível doçura. Egocêntrico, mas disponível para olhar as estrelas. Eloquente, mas silencioso. A mulher bonita, casada e triste, a que se abandonou a uma promessa de felicidade, chamava-se Karen. E ele, o que na adolescência eu desejei ser, era Denys. Respondia por esse nome sem mais nada ser necessário, apelido, referências, amores passados ou perdas. Nada de nada, apenas um nome que para os gregos significa a "noite e o dia" ou o "céu e as águas", somente Denys. Custa a acreditar que morreu. Custa a crer que não tenha acordado ontem para tomar o pequeno-almoço na sua quinta em Utah, uns ovos mexidos com tostinhas gourmet que seriam levadas num tabuleiro à sua confortável cama de príncipe do cinema. O velho caçador de almas que eu há mil anos achei poder imitar, o senhor Robert Redford, um ícone que ontem não quis interromper o sonho em que, como por magia, voltara ao riacho onde um dia lavou o cabelo a uma mulher que ainda o espera numa África seguramente nossa.
Por Luís Osório, Escritor
Caçador de leões, mas com uma indefinível doçura. Egocêntrico, mas disponível para olhar as estrelas. Eloquente, mas silencioso. A mulher bonita, casada e triste, a que se abandonou a uma promessa de felicidade, chamava-se Karen. E ele, o que na adolescência eu desejei ser, era Denys. Respondia por esse nome sem mais nada ser necessário, apelido, referências, amores passados ou perdas. Nada de nada, apenas um nome que para os gregos significa a "noite e o dia" ou o "céu e as águas", somente Denys. Custa a acreditar que morreu. Custa a crer que não tenha acordado ontem para tomar o pequeno-almoço na sua quinta em Utah, uns ovos mexidos com tostinhas gourmet que seriam levadas num tabuleiro à sua confortável cama de príncipe do cinema. O velho caçador de almas que eu há mil anos achei poder imitar, o senhor Robert Redford, um ícone que ontem não quis interromper o sonho em que, como por magia, voltara ao riacho onde um dia lavou o cabelo a uma mulher que ainda o espera numa África seguramente nossa.
Por Luís Osório, Escritor
Wednesday, September 17, 2025
África
Thursday, September 11, 2025
Cor de Chuva
Muitas vezes, quando estou a misturar tintas azuis, vermelhas e pretas, sai-me um cinzento carregado que se chama o cinzento de Payne, em homenagem ao pintor que o inventou: William Payne, de 1760. O Payne's grey, disse o pintor de 1966, George Shaw, é a "cor da chuva inglesa".
Miguel Esteves Cardoso
Miguel Esteves Cardoso
Wednesday, September 10, 2025
Gray
Tuesday, September 02, 2025
Espreguiçar
Em espanhol, espreguiçar diz-se Estirar que significa esticar mas ninguém nota ! Nós dizemos algo como tirar a preguiça… ex preguiçar : )
Sunday, August 31, 2025
Holgazanear
Las vacaciones de verano son peor que el paro. Holgazaneábamos durante dos meses en el barrio, buscando algo en que ocupar nuestros monótonos días. Aunque a veces nos reíamos, debo confesar que nos aburríamos más que un lagarto muerto. Con la estación seca, el río no era más que un hilillo de agua y era imposible refrescarse en él. Los mangos, desmedrados por el calor, eran invendibles, y el Círculo Náutico estaba demasiado lejos como para ir hasta allí todas las tardes. Me alegré cuando empezó la escuela.
Gaël Faye, in Petit Paîs
Gaël Faye, in Petit Paîs
Wednesday, August 20, 2025
Wednesday, August 13, 2025
Saturday, August 09, 2025
Amodiño
Viver mais devagar, devagarinho. Apreciar as coisas que realmente importam, saboreando calmamente cada momento do caminho.. .
Thursday, July 31, 2025
Quedar se.. .
Porque lo que realmente te hace quedarte no es el físico.
Es cómo piensa, cómo te habla, cómo te escucha. Es si comparte tus valores o al menos los respeta. Es si tiene un proyecto de vida que no necesitas rescatar ni dirigir.
Es si sabe amar sin asfixiar, cuidar sin anularse, estar sin desaparecerse. Te engancha que te guste. Pero te enamora que tenga algo que contar. Que te haga reír cuando lo necesitas, que tenga una pasión que le enciende la mirada, que se banque una conversación profunda sin huir o poner cara de "ya estás con tus cosas". Te enamora que puedas ser tú sin miedo a que se agobie o se aleje.
Y no es cuestión de conformarse. Al revés. Es dejar de elegir solo con los ojos y empezar a mirar con más partes de ti: con tu criterio, con tu historia, con tu idea de vida. Porque sí, el físico puede ser la puerta de entrada, pero lo que pasa después es lo que de verdad importa. Pero lo profundo, lo compartido, lo real... eso es lo que engancha de verdad. Y si encuentras las dos cosas, perfecto. Pero si solo tienes lo primero, no te hagas ilusiones: eso no sostiene nada...
Luis Miguel Real, Psicólogo
Es cómo piensa, cómo te habla, cómo te escucha. Es si comparte tus valores o al menos los respeta. Es si tiene un proyecto de vida que no necesitas rescatar ni dirigir.
Es si sabe amar sin asfixiar, cuidar sin anularse, estar sin desaparecerse. Te engancha que te guste. Pero te enamora que tenga algo que contar. Que te haga reír cuando lo necesitas, que tenga una pasión que le enciende la mirada, que se banque una conversación profunda sin huir o poner cara de "ya estás con tus cosas". Te enamora que puedas ser tú sin miedo a que se agobie o se aleje.
Y no es cuestión de conformarse. Al revés. Es dejar de elegir solo con los ojos y empezar a mirar con más partes de ti: con tu criterio, con tu historia, con tu idea de vida. Porque sí, el físico puede ser la puerta de entrada, pero lo que pasa después es lo que de verdad importa. Pero lo profundo, lo compartido, lo real... eso es lo que engancha de verdad. Y si encuentras las dos cosas, perfecto. Pero si solo tienes lo primero, no te hagas ilusiones: eso no sostiene nada...
Luis Miguel Real, Psicólogo
Monday, July 21, 2025
Quebramos os dois : (
Eu a convencer-te que gostas de mim,
Tu a convenceres-te que não é bem assim.
Eu a mostrar-te o meu lado mais puro,
Tu a argumentares os teus inevitáveis.
Eras tu a dançares em pleno dia,
E eu encostado como quem não vê.
Eras tu a falar para esconder a saudade,
E eu a esconder-me do que não se dizia.
Afinal...
Quebramos os dois afinal.
Quebramos os dois...
Desviando os olhos por sentir a verdade,
Juravas a certeza da mentira,
Mas sem queimar de mais,
Sem querer extingir o que já se sabia.
Eu fugia do toque como do cheiro,
Por saber que era o fim da roupa vestida,
Que inventara no meio do escuro onde estava,
Por ver o desespero na côr que trazias.
Afinal...
Quebramos os dois afinal.
Quebramos os dois afinal.
Quebramos os dois...
Era eu a despir-te do que era pequeno,
Tu a puxar-me para um lado mais perto,
Onde se contam histórias que nos atam,
Ao silêncio dos lábios que nos mata.
Eras tu a ficar por não saberes partir,
E eu a rezar para que desaparecesses,
Era eu a rezar para que ficasses,
Tu a ficares enquanto saías...
Não nos tocamos enquanto saías,
Não nos tocamos enquanto saímos,
Não nos tocamos e vamos fugindo,
Porque quebramos como crianças.
Afinal...
Quebramos os dois afinal.
Quebramos os dois afinal.
Quebramos os dois...
É quase pecado que se deixa.
Quase pecado que se ignora...
Tu a convenceres-te que não é bem assim.
Eu a mostrar-te o meu lado mais puro,
Tu a argumentares os teus inevitáveis.
Eras tu a dançares em pleno dia,
E eu encostado como quem não vê.
Eras tu a falar para esconder a saudade,
E eu a esconder-me do que não se dizia.
Afinal...
Quebramos os dois afinal.
Quebramos os dois...
Desviando os olhos por sentir a verdade,
Juravas a certeza da mentira,
Mas sem queimar de mais,
Sem querer extingir o que já se sabia.
Eu fugia do toque como do cheiro,
Por saber que era o fim da roupa vestida,
Que inventara no meio do escuro onde estava,
Por ver o desespero na côr que trazias.
Afinal...
Quebramos os dois afinal.
Quebramos os dois afinal.
Quebramos os dois...
Era eu a despir-te do que era pequeno,
Tu a puxar-me para um lado mais perto,
Onde se contam histórias que nos atam,
Ao silêncio dos lábios que nos mata.
Eras tu a ficar por não saberes partir,
E eu a rezar para que desaparecesses,
Era eu a rezar para que ficasses,
Tu a ficares enquanto saías...
Não nos tocamos enquanto saías,
Não nos tocamos enquanto saímos,
Não nos tocamos e vamos fugindo,
Porque quebramos como crianças.
Afinal...
Quebramos os dois afinal.
Quebramos os dois afinal.
Quebramos os dois...
É quase pecado que se deixa.
Quase pecado que se ignora...
Friday, July 18, 2025
Tuesday, July 15, 2025
Monday, July 14, 2025
Friday, July 11, 2025
Thursday, July 10, 2025
Songwriters
Com a atribuição do Nobel da Literatura a Bob Dylan em 2016, caíram de vez as reticências e ceticismos em relação à canção pop como género literário e aos songwriters como escritores de facto. Leonard Cohen, Tom Waits, Lennon e McCartney, Joni Mitchell, Caetano e Chico, José Afonso, Patti Smith, Suzanne Vega ou Morrissey são hoje reconhecidos também pela sua qualidade literária.
Rui Moreira, in Agenda do Porto
Rui Moreira, in Agenda do Porto
Saturday, July 05, 2025
Amor que morre
O nosso amor morreu... Quem o diria!
Quem o pensara mesmo ao ver-me tonta.
Ceguinha de te ver, sem ver a conta
Do tempo que passava, que fugia!
Bem estava a sentir que ele morria...
E outro clarão, ao longe, já desponta!
Um engano que morre... e logo aponta
A luz doutra miragem fugidia...
Eu bem sei, meu Amor, que pra viver
São precisos amores, pra morrer
E são precisos sonhos pra partir.
Eu bem sei, meu Amor, que era preciso
Fazer do amor que parte o claro riso
Doutro amor impossível que há de vir!
Florbela Espanca
Quem o pensara mesmo ao ver-me tonta.
Ceguinha de te ver, sem ver a conta
Do tempo que passava, que fugia!
Bem estava a sentir que ele morria...
E outro clarão, ao longe, já desponta!
Um engano que morre... e logo aponta
A luz doutra miragem fugidia...
Eu bem sei, meu Amor, que pra viver
São precisos amores, pra morrer
E são precisos sonhos pra partir.
Eu bem sei, meu Amor, que era preciso
Fazer do amor que parte o claro riso
Doutro amor impossível que há de vir!
Florbela Espanca
Friday, July 04, 2025
Avós
No dia 10 de Junho de 1942, a menina Raquel e a sua grande amiga Catarina resolveram ir patinar ao Clube Atlético de Campo de Ourique. A Raquel morava nos Prazeres e a Catarina por ali perto. O menino Fernandinho estava na tropa em Mafra e resolveu ir passar o dia a Lisboa com o seu grande amigo Rogério Amoreira Martins e escolheram ir patinar ao mesmo clube. Eles alugaram patins, a Catarina tinha os dela mas a Raquel foi pedir uns emprestados a uma colega da escola que morava por ali. Tanto a Raquel como a Catarina sabiam patinar. O Rogério também. O Fernando não fazia a menor ideia de como fazê-lo mas mesmo assim aventurou-se para o meio do campo e foi de encontro às duas amigas que deram uma grande queda. Lá se levantaram, elas irritadas com o parvo e ele de olho arregalado para a Raquel que embora ainda tivesse 14 anos, parecia uma mulher. Quando terminaram de patinar elas saíram porta fora mas eles ainda tinham de entregar os patins. Eles foram a correr atrás delas a perguntar se as podiam acompanhar e elas anuíram no entanto a Raquel disse que tinham de entregar os patins à Silveirinha. Depois de entregues os patins lá foram os 4 a caminho dos Prazeres e nisto começa o Fernando: “Oh menina Raquel, aceite-me como seu namorado!” E ela calada. E ele repetia uma e mais outras vezes até que a Catarina lhe disse: “aceita lá namoro para eles nos deixarem em paz!” E a Raquel virou-se para ele: “Está bem, aceito!” E eles foram-se embora. No dia seguinte ao final das aulas, o menino Fernandinho estava à porta da escola fardado de Oficial da Cavalaria à espera dela.
O resto é história. Noivaram, ela teve de andar na catequese na Basílica da Estrela para se poder baptizar pois o menino Fernandinho era muito católico e queria casar pela igreja. Entretanto a menina Raquel tinha dito ao menino Fernandinho que tinha 16 anos e só quando trataram dos papéis do casamento é que ele soube que ela tinha 15 na altura. Deitou as mãos à cabeça e teria comentado com o amigo Rogério: “Vou casar com uma criança…”
Casaram a 5 de Outubro de 1944 antes de ela fazer os 17 o que aconteceu a 25 de Outubro. Eu Teresa, nasci a 14 de Setembro de 45 ainda ela tinha 17 anos.
O resto é história. Noivaram, ela teve de andar na catequese na Basílica da Estrela para se poder baptizar pois o menino Fernandinho era muito católico e queria casar pela igreja. Entretanto a menina Raquel tinha dito ao menino Fernandinho que tinha 16 anos e só quando trataram dos papéis do casamento é que ele soube que ela tinha 15 na altura. Deitou as mãos à cabeça e teria comentado com o amigo Rogério: “Vou casar com uma criança…”
Casaram a 5 de Outubro de 1944 antes de ela fazer os 17 o que aconteceu a 25 de Outubro. Eu Teresa, nasci a 14 de Setembro de 45 ainda ela tinha 17 anos.
Wednesday, July 02, 2025
A Busca
A busca para felicidade !
Não sei se acredito na felicidade, mas acredito na busca : )
Amarante Abramovic, in PAAs no Batalha
Não sei se acredito na felicidade, mas acredito na busca : )
Amarante Abramovic, in PAAs no Batalha
Monday, June 30, 2025
Trends
Tendências que vejo na linguagem e escrita dos nossos dias: inventar palavras, como... "Primeiramente", "Deteriorizado", "Arripilantes", "Perceptiram", "Capturação" ! Ou usá-las fora do sentido, como “não encontrei nenhum impasse que me limitasse”, "O dia em que ele nasceu-se", ou "Ele concebeu um desejo à Princesa" ! Enfim, trendências : )
Thursday, June 26, 2025
Terraplanista
Tuesday, June 24, 2025
Monday, June 23, 2025
Distraente
A menina é muito distraente !!!
O tempo com ela não segue a cadência dos relógios habituais…
O tempo com ela não segue a cadência dos relógios habituais…
Tuesday, June 17, 2025
Sunday, June 08, 2025
Monday, June 02, 2025
Decidividido
Ando farto de não conseguir decidir as coisas no momento ! Sejam concertos, viagen, alojamentos ou grande espectáculos culturais… fica tudo esgotado com meses de antecedência, e nós temos sempre que decidir o que vamos fazer naquela noite uns dois ou três anos antes : (
Comentecaptos
Os comentadores portugueses de futebol, só falam de duas coisas: do passado e do futuro ! São estatísticas e curiosidades, ou sobre o que vai acontecer no jogo do princípio ao fim antes do momento chegar ! Só não falam do que se está a passar….
Sunday, June 01, 2025
Saturday, May 31, 2025
Acto
Os actores falam muito da arte da representação. Mas a questão é que eu não sou actor, sou personagem.
Wednesday, May 28, 2025
Sunday, May 25, 2025
Galiza
Convido-vos a irem à Galiza. Não procurem as ondas conhecidas, deixem-se perder pelas centenas de quilómetros de litoral recortado, interpretem o vento, as ondulações e a direcção da costa e tentem, por intuição, chegar a uma onda surfável. Mantenham os olhos bem abertos e vejam o que se passa para lá do mar, na terra firme. Vão à Galiza. É verdade que ondas em Portugal são melhores. O resto, não...
Gonçalo Cadilhe, in No Princípio estava o Mar
Gonçalo Cadilhe, in No Princípio estava o Mar
Monday, May 19, 2025
Lo que cuenta
Tú sabes mejor que yo cómo son las cosas en África, la Constitución no es lo que cuenta… En estos países uno no gana las elecciones si no es el candidato del ejército !
Gaël Faye, in Petit Paîs
Gaël Faye, in Petit Paîs
Wednesday, April 30, 2025
Improvisa
Os dois se amam e brigam, e criam uma linguagem própria, uma poesia improvisada. Quando chegou à parte em que eu teria que improvisar uma discussão em linguagem poética, falei “Não consigo fazer isso.” “Não sei o que dizer”…
“Diga qualquer coisa ! Você não erra quando está improvisando.” “Mas e se eu estragar tudo ? E se eu perder o ritmo ?”Não dá”, ele disse. “É como bateria. Se você erra uma batida, cria outra.”
Nessa simples conversa, Samme ensinou o segredo da improvisação, um segredo que eu usaria a vida inteira.
Patti Smith, in “Just Kids”
“Diga qualquer coisa ! Você não erra quando está improvisando.” “Mas e se eu estragar tudo ? E se eu perder o ritmo ?”Não dá”, ele disse. “É como bateria. Se você erra uma batida, cria outra.”
Nessa simples conversa, Samme ensinou o segredo da improvisação, um segredo que eu usaria a vida inteira.
Patti Smith, in “Just Kids”
Wednesday, April 23, 2025
Saturday, April 19, 2025
Monday, April 14, 2025
Sobe e Desce
Há caminhos que são descer e depois subir, outros que são subir e depois descer ! Eu prefiro descer e depois descer…
Sunday, April 13, 2025
Tentar
Nos países islâmicos, as mulheres têm que usar véu porque podem ser muito atraentes e levar à tentação ! Nos homens não há esse problema…
Wednesday, April 09, 2025
Be Beto
Será que todas as línguas têm nome para Beto, ou Pijo em Espanha ou Patricinho no Brasil ou Posh na Grã-Bretanha… .
Tuesday, April 08, 2025
Monday, April 07, 2025
Sunday, April 06, 2025
Thursday, April 03, 2025
Tuesday, April 01, 2025
Por Gosto
Há desportos em que o vencedor é escolhido, e outros em que são verificados, como o golfe. O Surf é decidido por puro gosto : )
Saturday, March 29, 2025
Backside Goofy
O surf tem esta coisa super estranha… ao contrário de outros desportos, metade anda virada para um lado e outra metade virada para o outro lado. Não imagino outro desporto ou hobby com uma diferença assim tão evidente
Sunday, March 23, 2025
Saturday, March 22, 2025
Friday, March 21, 2025
Sunday, March 09, 2025
Ginásios
No princípio estava o mar, de Gonçalo Cadilhe
Friday, March 07, 2025
Sem Fronteiras
Zonas do mundo onde há fronteiras e não há, onde os países são juntos, diferentes e partilhados… eu diria que isso acontece na Europa, na Ásia Oriental e na África Austral de Guiné e Libéria ! Haverá mais ?
Sunday, March 02, 2025
Saturday, February 22, 2025
Wednesday, February 19, 2025
Frio
Eu compreendo aquela lógica nórdica que acha que só passa frio quem é burro ! E em Portugal passa-se muito frio
Sunday, February 02, 2025
Thursday, January 02, 2025
Adília
“Não sei se me interessei pelo rapaz
por ele se interessar por estrelas
se me interessei por estrelas por me interessar
pelo rapaz hoje quando penso no rapaz
penso em estrelas e quando penso em estrelas
penso no rapaz como me parece
que me vou ocupar com as estrelas
até ao fim dos meus dias parece-me que
não vou deixar de me interessar pelo rapaz
até ao fim dos meus dias
nunca saberei se me interesso por estrelas
se me interesso por um rapaz que se interessa
por estrelas já não me lembro
se vi primeiro as estrelas
se vi primeiro o rapaz
se quando vi o rapaz vi as estrelas”.
Morreu a Adília Lopes (1960-2024),
a poetisa da nossa geração.
por ele se interessar por estrelas
se me interessei por estrelas por me interessar
pelo rapaz hoje quando penso no rapaz
penso em estrelas e quando penso em estrelas
penso no rapaz como me parece
que me vou ocupar com as estrelas
até ao fim dos meus dias parece-me que
não vou deixar de me interessar pelo rapaz
até ao fim dos meus dias
nunca saberei se me interesso por estrelas
se me interesso por um rapaz que se interessa
por estrelas já não me lembro
se vi primeiro as estrelas
se vi primeiro o rapaz
se quando vi o rapaz vi as estrelas”.
Morreu a Adília Lopes (1960-2024),
a poetisa da nossa geração.
Wednesday, January 01, 2025
Top Films
O meu Top acho que é
- Lost in Translation
- In the Mood For Love
- Habla con Ella
- Pulp Fiction
- The Nightmare before Christmas
- Vicky Christina Barcelona
- Lost in Translation
- In the Mood For Love
- Habla con Ella
- Pulp Fiction
- The Nightmare before Christmas
- Vicky Christina Barcelona
Tuesday, December 31, 2024
Hippo Zippo
What's the difference between a hippo and a Zippo? Ones really heavy and the others a little lighter.
Sunday, December 29, 2024
Wednesday, December 18, 2024
Amor Ridículo
Procuro o amor ! Amor de verdade, amor ridículo, incómodo, que nos consuma, que não possamos viver um sem o outro…
Carrie Bradshaw, Sex and the City
Carrie Bradshaw, Sex and the City
Tuesday, December 17, 2024
Monday, December 16, 2024
Wednesday, December 11, 2024
Monday, December 09, 2024
Wednesday, November 27, 2024
Monday, November 25, 2024
Friday, November 22, 2024
Wednesday, November 13, 2024
Tuesday, November 12, 2024
Sunday, November 10, 2024
Thursday, November 07, 2024
Wednesday, November 06, 2024
Saúde Mental
6. Investir em atividades de lazer
- Investir em atividades de lazer pode ajudar a diminuir o stress e a ansiedade e a lidar com momentos mais
O tempo que cada pessoa precisa para uma atividade de lazer é variável
- Fazer uma lista de atividades de lazer: ler, ver um filme ou série, cozinhar, fazer trabalhos manuais, fazer jardinagem, desenhar, ...
- Planear uma atividade de lazer, e inclui-la na agenda semanal, para garantir o seu cumprimento em momentos de maior sobrecarga laboral e/ou familiar
- As atividades de lazer podem ajudar a criar ou reforçar as ligações com outras pessoas
- Estas atividades melhoram o desempenho e a satisfação no trabalho e na vida famillar
8. Manter relações saudáveis
- As relações interpessoais desempenham um papel Importante no bem estar e suporte emocional.
- Ter uma rede de apoio em momentos desafiantes ou perante adversidades profissionais, pode contribuir para aumentar a resiliencia, superar obstáculos, e atingir mais facilmente os objetivos
- Manter relações saudáveis pode ser importante para a motivação diária. O reconhecimento por pessoas significativas das conquistas profissionais ou pessoais, aumenta o impacto positivo desses acontecimentos de vida.
- É importante não descurar as nossas relações familiares e de amizade durante períodos de maior sobrecarga laboral, uma vez que o isolamento contribui para um menor bem estar
7. Falar dos seus sentimentos
- Pode ser difícil falar sobre saúde mental no local de trabalho
- Ter consciência que os nossos sentimentos podem afetar o nosso desempenho profissional
- Identificar uma pessoa de conflança no trabalho ou equipa, com quem seja confortável partilhar as preocupações ou mal estar
- Falar abertamente no trabalho sobre problemas de saúde mental, bem como os recursos disponíveis para ultrapassar um problema, pode encorajar outros colegas a procurar apolo
- Procurar falar com amigos ou familiares sobre os problemas laborais, quando não for confortável ou possível fazê-lo no local de trabalho
4. Cuidar da higiene do sono
- Manter horários regulares: adormecer e acordar à mesma hora, inclusive aos fins de semana
- Programar o alarme para a hora de deitar e de acordar
- Após despertar, optar pela exposição à luz natural durante 30 minutos
- Incluir atividade física na sua rotina diária
- Evitar tomar cafeína a partir das 16H00 ou outros estimulantes (nicotina, refrigerantes, chás com teina, chocolate)
- Manter uma atividade de descontração antes de deitar (ler ou ouvir música)
- Tomar um banho quente
- Usar roupa confortável para dormir
- Deixar os ecrãs fora do quarto
- Investir em atividades de lazer pode ajudar a diminuir o stress e a ansiedade e a lidar com momentos mais
O tempo que cada pessoa precisa para uma atividade de lazer é variável
- Fazer uma lista de atividades de lazer: ler, ver um filme ou série, cozinhar, fazer trabalhos manuais, fazer jardinagem, desenhar, ...
- Planear uma atividade de lazer, e inclui-la na agenda semanal, para garantir o seu cumprimento em momentos de maior sobrecarga laboral e/ou familiar
- As atividades de lazer podem ajudar a criar ou reforçar as ligações com outras pessoas
- Estas atividades melhoram o desempenho e a satisfação no trabalho e na vida famillar
8. Manter relações saudáveis
- As relações interpessoais desempenham um papel Importante no bem estar e suporte emocional.
- Ter uma rede de apoio em momentos desafiantes ou perante adversidades profissionais, pode contribuir para aumentar a resiliencia, superar obstáculos, e atingir mais facilmente os objetivos
- Manter relações saudáveis pode ser importante para a motivação diária. O reconhecimento por pessoas significativas das conquistas profissionais ou pessoais, aumenta o impacto positivo desses acontecimentos de vida.
- É importante não descurar as nossas relações familiares e de amizade durante períodos de maior sobrecarga laboral, uma vez que o isolamento contribui para um menor bem estar
7. Falar dos seus sentimentos
- Pode ser difícil falar sobre saúde mental no local de trabalho
- Ter consciência que os nossos sentimentos podem afetar o nosso desempenho profissional
- Identificar uma pessoa de conflança no trabalho ou equipa, com quem seja confortável partilhar as preocupações ou mal estar
- Falar abertamente no trabalho sobre problemas de saúde mental, bem como os recursos disponíveis para ultrapassar um problema, pode encorajar outros colegas a procurar apolo
- Procurar falar com amigos ou familiares sobre os problemas laborais, quando não for confortável ou possível fazê-lo no local de trabalho
4. Cuidar da higiene do sono
- Manter horários regulares: adormecer e acordar à mesma hora, inclusive aos fins de semana
- Programar o alarme para a hora de deitar e de acordar
- Após despertar, optar pela exposição à luz natural durante 30 minutos
- Incluir atividade física na sua rotina diária
- Evitar tomar cafeína a partir das 16H00 ou outros estimulantes (nicotina, refrigerantes, chás com teina, chocolate)
- Manter uma atividade de descontração antes de deitar (ler ou ouvir música)
- Tomar um banho quente
- Usar roupa confortável para dormir
- Deixar os ecrãs fora do quarto
Monday, October 21, 2024
Os Loucos
Em matéria amorosa, os loucos são os que mais sabem. Não pergunte sobre amor aos espertos, eles amam inteligentemente, que é como nunca ter amado.
Julio Cortázar
Julio Cortázar
Sentir
Yo no querría hablarte más de estas cosas, porque cuando hablo empiezo a ver, delante de mis ojos, todo lo que te estoy explicando. Tú ahora estás aquí, escuchando, pero yo estoy otra vez allí, dentro de mi carne, y cuando te lo cuento empiezo a vivirlo de nuevo. Por eso, no querría hablarte de estas cosas. Y cuando te lo he contado, lo he sentido todo otra vez.. .
Hermanito / Miñan
Ibrahima Balde y Amets Arzallus Antia
Hermanito / Miñan
Ibrahima Balde y Amets Arzallus Antia
Saturday, October 19, 2024
das Marés
Piscina de Marés
(Alvaro Siza Vieira - 1966, Leça da Palmeira)
O romantismo implícito no imaginário de uma piscina cujo enchimento e esvaziamento dependeria das marés, não era viável. Ficava o nome, um achado a apelar ao lado mais selvagem do viver natural. Questões de higiene e saúde pública obrigavam ao enchimento daquelas superfícies com água do mar, sim, mas tratada e filtrada.
The romanticism implicit in the imagery of a pool whose filling and emptying would depend on the tides was not feasible. It remained the name, a find that appealed to the wilder side of natural living. Hygiene and public health issues meant that those surfaces had to be filled with seawater, yes, but treated and filtered.
Friday, October 18, 2024
Monday, October 14, 2024
Vida
Acho que quero ser depressivo, e a vida não me deixa. Ou ao contrário, não sei bem…
Talvez eu tente ser optimista, mas e esta vida ? Esta vida podia ser… bom, podia ser tanta coisa e às vezes só quase que pode mas depois não é e eu queria tanto que fosse e que fosse tudo !
Talvez eu tente ser optimista, mas e esta vida ? Esta vida podia ser… bom, podia ser tanta coisa e às vezes só quase que pode mas depois não é e eu queria tanto que fosse e que fosse tudo !
Sunday, October 13, 2024
Um Mapa
Um mapa com luzes verdes e amarelas…
A premissa é simples: as luzes verdes mostram alguém que está ali a pensar em ti, alguém que te quer e que te deseja ao seu lado nesse momento. As luzes amarelas mostram quem pensou em ti nos últimos dias até esse pensar e essa luz irem desaparecendo...
A premissa é simples: as luzes verdes mostram alguém que está ali a pensar em ti, alguém que te quer e que te deseja ao seu lado nesse momento. As luzes amarelas mostram quem pensou em ti nos últimos dias até esse pensar e essa luz irem desaparecendo...
Thursday, October 10, 2024
Sunday, October 06, 2024
Saturday, October 05, 2024
Wednesday, October 02, 2024
Extremos
Queria escrever Radicalismo Extremista, mas o autocorrect alterou para Radicalismo Extremoso e eu achei tão fofinho : )
Saturday, September 28, 2024
Saturday, September 21, 2024
Any Library
Nagiko, I am waiting for you.
Meet me at the Library, any Library
every Library
Yours Jerome
The Pillow Book, de Peter Greenway
Friday, September 20, 2024
Trabalho e Diversão
É fantástico trabalhar naquilo que se gosta ! Para mim duas coisas importantes são Arte e Mar ! A Arte para mim agora é trabalho, e Mar é diversão. Mas eu sei que se trabalhasse no Mar, a Arte seria então a diversão….
Sunday, September 15, 2024
Saturday, September 14, 2024
Era Romântica
Mas, quando era pequena, ouviu dizer que o francês era uma língua romântica e achou que, se a aprendesse, a vida dela seria romântica.
In Tempo de Recomeçar, de Kurt Voelker
In Tempo de Recomeçar, de Kurt Voelker
Friday, September 13, 2024
Thursday, September 12, 2024
Depois
Depois de sonhar tantos anos, de fazer tantos planos, de um futuro pra nós. Depois de tantos desenganos, nós nos abandonamos como tantos casais. Quero que você seja feliz, hei de ser feliz também.
Depois de varar madrugada, Esperando por nada, De arrastar-me no chão. Em vão, Tu viraste-me as costas, não me deste as respostas, que eu preciso escutar. Quero que você seja melhor, Hei de ser melhor também.
Nós dois, já tivemos momentos. Mas passou nosso tempo, não podemos negar. Foi bom, nós fizemos história. pra ficar na memória, e nos acompanhar. Quero que você viva sem mim, eu vou conseguir também.
Depois de aceitarmos os fatos, vou trocar seus retratos pelos de um outro alguém. Meu bem, vamos ter liberdade, para amar à vontade, sem trair mais ninguém. Quero que você seja feliz, hei de ser feliz também. Depois...
Marisa Monte
Depois de varar madrugada, Esperando por nada, De arrastar-me no chão. Em vão, Tu viraste-me as costas, não me deste as respostas, que eu preciso escutar. Quero que você seja melhor, Hei de ser melhor também.
Nós dois, já tivemos momentos. Mas passou nosso tempo, não podemos negar. Foi bom, nós fizemos história. pra ficar na memória, e nos acompanhar. Quero que você viva sem mim, eu vou conseguir também.
Depois de aceitarmos os fatos, vou trocar seus retratos pelos de um outro alguém. Meu bem, vamos ter liberdade, para amar à vontade, sem trair mais ninguém. Quero que você seja feliz, hei de ser feliz também. Depois...
Marisa Monte
Sunday, September 08, 2024
De Conversar
Mesmo que não venha mais ninguém
Ficamos só eu e você
Fazermos a festa, somos do mundo
Sempre fomos bons de conversar
Mallu Magalhães
Ficamos só eu e você
Fazermos a festa, somos do mundo
Sempre fomos bons de conversar
Mallu Magalhães
Friday, September 06, 2024
Africa Films
Filmes que retratam a África que eu vi :
- Blood Diamond (2006)
- The Constant Gardener (2005)
- The Last Face (2016)
- Hotel Rwanda (2004)
- Out of Africa (1985)
- Blood Diamond (2006)
- The Constant Gardener (2005)
- The Last Face (2016)
- Hotel Rwanda (2004)
- Out of Africa (1985)
Labels: Cinema
Monday, September 02, 2024
Sono Solto
Depois, muito depois, lembrava-se de ter visto a fotografia mostrada à pressa já os Americanos corriam na direcção da Lua. Já ela teria vinte anos, já dormia a sono solto por travesseiros estranhos como eram os bancos dos carros ou a areia das dunas…
Lídia Jorge, in O Vale da Paixão
Lídia Jorge, in O Vale da Paixão
Friday, August 30, 2024
Thursday, August 22, 2024
Portuguese
Portuguese, a Romance language with roots in Latin, is known for its melodious cadence and widespread global influence.
Spoken by over 250 million people across the globe, primarily in Portugal, Brazil, and former Portuguese colonies in Africa and Asia, it stands as one of the most spoken languages in the world. Characterized by its soft vowels and nasal sounds, Portuguese exhibits considerable diversity in pronunciation and vocabulary between its European and Brazilian variants, yet remains mutually intelligible across its various dialects. With a rich literary tradition that spans centuries, Portuguese has contributed significantly to world literature through renowned poets like Fernando Pessoa and epic writers like José Saramago, showcasing its depth and cultural significance on the global stage.
Various sources, such as the World Atlas and Wikipedia in Civixplo...
Spoken by over 250 million people across the globe, primarily in Portugal, Brazil, and former Portuguese colonies in Africa and Asia, it stands as one of the most spoken languages in the world. Characterized by its soft vowels and nasal sounds, Portuguese exhibits considerable diversity in pronunciation and vocabulary between its European and Brazilian variants, yet remains mutually intelligible across its various dialects. With a rich literary tradition that spans centuries, Portuguese has contributed significantly to world literature through renowned poets like Fernando Pessoa and epic writers like José Saramago, showcasing its depth and cultural significance on the global stage.
Various sources, such as the World Atlas and Wikipedia in Civixplo...
Friday, August 02, 2024
Tuesday, July 30, 2024
Fake it
Fake it till you feel it !
Not until you make it, it’s trying until you feel it and it became your own ! Obrigado Lola, saiu bem e com mais sentido ; )
Not until you make it, it’s trying until you feel it and it became your own ! Obrigado Lola, saiu bem e com mais sentido ; )
Saturday, July 27, 2024
Friday, July 26, 2024
Thursday, July 25, 2024
Friday, July 12, 2024
A Acção
Ser tão grande na acção como és no pensamento !
“A Minha Versão do Amor”, de Richard J. Lewis
Wednesday, July 03, 2024
Komorebi es un término japonés que se refiere al brillo de las luces y sombras que se crea por el movimiento de las hojas en el viento, a la luz del sol que se filtra a través de las hojas de un árbol. Solo existe una única vez, en ese momento.
La frase final de la película de Wim Wenders refuerza la idea de vivir en el presente, disfrutando el instante, de las pequeñas cosas. La vida es ahora.
In "Perfect Days" por Wim Wenders
Con Kôji Yakusho y Arisa Nakano
La frase final de la película de Wim Wenders refuerza la idea de vivir en el presente, disfrutando el instante, de las pequeñas cosas. La vida es ahora.
In "Perfect Days" por Wim Wenders
Con Kôji Yakusho y Arisa Nakano
Tuesday, July 02, 2024
Padrões
Há estatísticas que ficam de foram, padrões que quando comparados por um novo ângulo dão-nos diferentes perspectivas. ( Ex. Kelly tem x títulos, mas quantas mais vezes não chegou com hipóteses no ultimo campeonato ? )
Friday, June 28, 2024
Thursday, June 27, 2024
Um Poema
Quem faz um poema, abre uma janela
Respira, tu que estás numa cela
Esse ar que entra por ela
Por isso os poemas têm ritmo
Para que possas respirar
Quem faz um poema salva um afogado
Do mar
Emergência, de Mário Quintana e
Emergir, de Nuno Lacerda
Respira, tu que estás numa cela
Esse ar que entra por ela
Por isso os poemas têm ritmo
Para que possas respirar
Quem faz um poema salva um afogado
Do mar
Emergência, de Mário Quintana e
Emergir, de Nuno Lacerda
Monday, June 24, 2024
Tuesday, June 18, 2024
Novaya Gazeta
The motto for Novaya Gazeta was “Same Letters, New Words”.
Novaya Gazeta foi um jornal independente pro democracia criado na Rússia em 1993, reconhecido internacionalmente pelas suas reportagens de investigação com o prémio Nobel da Paz em 2021. Em 2022 fechou !
Novaya Gazeta foi um jornal independente pro democracia criado na Rússia em 1993, reconhecido internacionalmente pelas suas reportagens de investigação com o prémio Nobel da Paz em 2021. Em 2022 fechou !
Saturday, June 15, 2024
Somos
"Somos inseguros, imaturos, praticantes da transgressão na sombra, além de desorganizados, individualistas, garbosos, disponíveis. Nós, os portugueses, o que esperamos do chefe, do pai, do protector, é que decida por nós, que assuma a responsabilidade por nós, que saiba sempre a resposta."
Entrevista ao psicanalista Coimbra de Matos por Anabela Mota Ribeiro
Entrevista ao psicanalista Coimbra de Matos por Anabela Mota Ribeiro
Wednesday, June 12, 2024
Bibliofilia
"É tolice pensar que tem de ler todos os livros que compra, pois é tolice criticar aqueles que compram mais livros do que alguma vez conseguiram ler. Seria como dizer que deve usar todos os talheres ou chaves de fenda que comprámos antes de comprar novos.
"Tem coisas na vida que precisamos ter sempre abundância, mesmo que usemos apenas uma pequena porção. Se, por exemplo, consideramos os livros como medicina, entendemos que é bom ter muitos em casa em vez de alguns: quando se quer sentir melhor, então vai ao 'armário dos remédios' e escolhe um livro. Não um aleatório, mas o livro certo para aquele momento. É por isso que você deve ter sempre uma escolha nutricional !”
Umberto Eco, sobre as bibliotecas caseiras
"Tem coisas na vida que precisamos ter sempre abundância, mesmo que usemos apenas uma pequena porção. Se, por exemplo, consideramos os livros como medicina, entendemos que é bom ter muitos em casa em vez de alguns: quando se quer sentir melhor, então vai ao 'armário dos remédios' e escolhe um livro. Não um aleatório, mas o livro certo para aquele momento. É por isso que você deve ter sempre uma escolha nutricional !”
Umberto Eco, sobre as bibliotecas caseiras
Monday, June 10, 2024
1ª Vez
Amarrara dzaia soiê
Dzaia dzaia
Aí iii iinga dunrã
Ô amarrara dzaia soiê
Dzaia dzaia
Aí iii iinga dunrã
de Chico César
Dzaia dzaia
Aí iii iinga dunrã
Ô amarrara dzaia soiê
Dzaia dzaia
Aí iii iinga dunrã
de Chico César
Sunday, June 09, 2024
Saturday, June 08, 2024
Friday, June 07, 2024
Féria dos
Sugiro passarem o feriado de 10 de Junho para 10 de Maio, e o Natal para 25 de Janeiro ! Não dão jeito nenhum, e ter um feriado a meio das férias do Natal é um desperdício…
O Efeito Especial
Por vezes, basta uma imagem de um filme que não conhecemos para nos dar inspiração. não tenho grande memória. os filmes… lembro-me bem do efeito que produziram em mim. Nem sempre sou capaz de contar a história deles…
Agnès Varda, in As Praias de Agnès
Monday, June 03, 2024
Thursday, May 30, 2024
Com Tempo
O Cinema não faz parar o tempo. Eu acho que o Cinema ajuda a acompanhar o tempo…
Agnès Varda, in As Praias de Agnès
Agnès Varda, in As Praias de Agnès
Pensando
Eu estou pensando em você
Pensando em nunca mais
Pensar em te esquecer
Pois quando penso em você
É quando não me sinto só
Com minhas letras e canções
Com o perfume das manhãs
Com a chuva dos verões
Com o desenho das maçãs
E com você me sinto bem
Eu estou pensando em você
Pensando em nunca mais te esquecer. . .
Paulinho Moska
Pensando em nunca mais
Pensar em te esquecer
Pois quando penso em você
É quando não me sinto só
Com minhas letras e canções
Com o perfume das manhãs
Com a chuva dos verões
Com o desenho das maçãs
E com você me sinto bem
Eu estou pensando em você
Pensando em nunca mais te esquecer. . .
Paulinho Moska
Paralelas e Secantes
Muitas raparigas aqui desconhecem o que são linhas paralelas, tangentes ou secantes. Nem devem saber o que é uma circunferência. Por isso dispersam os talheres e os copos à volta dos pratos deixando cada espécie para o seu lado, conseguindo desse modo que as peças de louça adquiram o estatuto das pias… Ordenando o meu prato, fico com a ideia de que ordeno a terra, o mar, o mundo !
Lídia Jorge, in A Misericórdia
Lídia Jorge, in A Misericórdia












